Pelo menos 50 universidades brasileiras vão receber 325 bolseiros moçambicanos, maioritariamente para pós-graduação, num programa que já permitiu a formação de mais de oito mil estudantes nos últimos 10 a 15 anos, disse hoje fonte oficial.
Os estudantes foram selecionados no âmbito dos Programas Estudante-Convénio de Pós-Graduação (PEC-PG), de Graduação (PEC-G) e do Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras (GCUB), integrando instituições posicionadas entre as 100 melhores do Brasil, segundo dados avançados na cerimónia de despedida, em Maputo.
“Eu diria que mais universidades brasileiras terão a grande oportunidade e a sorte de contar com pesquisadores e estudantes moçambicanos”, disse o embaixador do Brasil em Moçambique, Ademar Seabra da Cruz, à agência Lusa, à margem da despedida de pelo menos 120 bolseiros.
Segundo o diplomata, o intercâmbio académico constitui uma política pública de Estado nos dois países e representa uma experiência “transformadora”, capaz de gerar capital humano qualificado para apoiar o desenvolvimento de Moçambique e do Brasil.
“Nos últimos 10 a 15 anos mais de oito mil bolseiros moçambicanos estudaram no Brasil”, sublinhou, acrescentando que o processo é recíproco, envolvendo também a mobilidade de estudantes brasileiros para instituições moçambicanas.
Do total de 325 bolseiros, cerca de 200 já se encontram no Brasil e os restantes deverão viajar nas próximas semanas, em função do início do ano letivo, previsto para março. Aproximadamente 200 estudantes frequentarão mestrado e doutoramento, enquanto os restantes ingressam em cursos de licenciatura.
O embaixador brasileiro avançou ainda que o grupo de estudantes está distribuído por áreas como ciências minerais, biomédicas, administração hospitalar, enfermagem, ciências humanas e engenharias.
A ministra da Educação e Cultura moçambicana, Samaria Tovela, presente na cerimónia, destacou a cooperação histórica entre os dois países, iniciada após a independência de Moçambique, e reiterou a importância da formação de quadros nacionais.
“O que esperamos efetivamente é que cheguem lá e formem-se. E, acima de tudo, o que nós temos é uma palavra de agradecimento ao Brasil”, afirmou a governante, considerando a formação “a chave para o desenvolvimento” do país.
Entre os bolseiros, está Evandro Ernesto Chico, de 26 anos, natural de Maputo, que vai frequentar o mestrado em Relações Étnico-Raciais no estado da Bahia, defendendo que pretende aplicar os conhecimentos na promoção da inclusão em ambientes laborais.
“Vou lá, vou me formar e fazer de tudo para adotar essa metodologia (…) para garantir maior inclusão entre os funcionários”, disse o estudante à Lusa.
Também Leonora João Vilanculo, de 30 anos, da cidade da Beira, vai iniciar mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, com foco na reutilização de efluentes industriais no setor agrícola.
“Todo o conhecimento que eu vou adquirir lá vou colocar em prática aqui no nosso país”, afirmou, defendendo que a experiência poderá contribuir para soluções ambientais sustentáveis em Moçambique.









