Cerca de 100 mil pessoas podem estar infectadas com o novo coronavírus, alertam especialistas

Para já, segundo fontes oficiais, existem menos de 300 mil casos confirmados, principalmente em Wuhan, cidade onde teve origem o coronavírus.

Executive Digest

Um especialista em Saúde Pública do Imperial College de Londres, Neil Fergunson, disse ao “The Guardian” que podem existir 100 mil pessoas infectados pelo novo tipo de pneumonia na China. Para já, segundo fontes oficiais, existem menos de 300 mil casos confirmados, principalmente em Wuhan, cidade onde teve origem o coronavírus.

Até ao momento, foram detectados cerca de 40 casos fora da China, incluindo três nos Estados Unidos e em França. Das 80 mortes já confirmadas, todas ocorreram na China, afectando maioritariamente pessoas mais velhas e com problemas de saúde que dificultaram o combate ao vírus. Mas, apesar das rigorosas medidas de contenção adoptadas pela China, os especialistas avisam que é apenas uma questão de tempo até que sejam conhecidos mais casos por todo o mundo, dada a facilidade com que o novo coronavírus é transmissível entre humanos.

Ferguson, cuja equipa vem modelando a doença para a Organização Mundial da Saúde, estima que o vírus apresente uma taxa reproductiva de 2,5 a 3, o que significa que cada pessoa infectada o pode transmitir a mais três pessoas. «O meu melhor palpite agora é que existam cerca de 100 mil casos no momento», apontou, acrescentando que, a estimativa mínima é de 30 mil e a máxima de 200 mil. «Quase certamente muitas dezenas de milhares de pessoas estão infectadas.»

Ainda assim, a maioria dos casos noutros sido moderada. O que pode significar que casos leves de doença se espalham mais facilmente do que casos graves e com risco de vida, o que parece ser uma boa notícia. Mas, por outro lado, significa que é possível que haja um reservatório de doença leve no país que passa despercebido e pode espalhar-se até afectar alguém vulnerável por causa de problemas de saúde subjacentes. «Estão à procura de pessoas com histórico de viagens para a China mas não estão necessariamente a procurar na população local», disse o especialista, explicando que ainda não há relatos sobre «até que ponto as crianças estão a ser infectadas, provavelmente por causa do vírus em relação a casos graves».

Ao contrário de Sars, que deixou todos os que contraíram o vírus gravemente doentes, o novo vírus é capaz de passar despercebido. Em primeiro lugar, existem muitos portadores leves, que infectarão outras pessoas sem necessariamente serem reconhecidos. Em segundo lugar, há relatos da China de pessoas que infectaram outras pessoas antes de sentirem algum sintoma. Esses vírus «são transportados para o ar durante a respiração normal e a fala da pessoa infectada», acrescentou a professora Wendy Barclay, do departamento de Doenças Infecciosas do Imperial College de Londres. «Não seria muito surpreendente se o novo coronavírus também fizer isso. Se esse for o caso, controlar a propagação será mais um desafio e é pouco provável que medidas como a triagem de aeroportos controlem o vírus com eficácia», alertou.

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