CEOs portugueses recebem 11 vezes mais do que restantes colaboradores da empresa

A remuneração de um CEO em Portugal é, em média, 1,5 vezes superior à remuneração dos restantes vogais executivos e 10,9 vezes superior à média de remuneração dos restantes colaboradores da organização.

André Manuel Mendes

A remuneração de um CEO em Portugal é, em média, 1,5 vezes superior à remuneração dos restantes vogais executivos e 10,9 vezes superior à média de remuneração dos restantes colaboradores da organização.

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Estas são as conclusões do estudo “Remuneração de Executivos”, desenvolvido pela Mercer, que inquiriu 40 organizações a operar em Portugal, incluindo 13 cotadas em bolsa no índice PSI, e analisou sete funções distintas de membros executivos.

Outro dado apresentado por este estudo mostra que 67% da remuneração do CEO corresponde ao seu salário base, 26% a incentivos a curto prazo e 7% a incentivos a longo prazo. Por outro lado, 59% da remuneração dos membros executivos corresponde ao seu salário base, 24% a incentivos de curto prazo, 10% a incentivos a longo prazo e 7% a subsídios garantidos.

O estudo “Remuneração de Executivos” mostra também que a constituição das Comissões Executivas das organizações inquiridas é composta maioritariamente por homens (75%), sendo que para cargos de CEO a discrepância é ainda maior, com 90% das empresas a serem lideradas por homens.

Os dados revelam ainda que os pagamentos de bónus em 2022 relativamente ao desempenho de 2021 foram superiores aos valores pré-pandemia, e que a estratégia de ESG (Environmental, Social e Governance) continua a ser um tema quente para os Comités de Remuneração.

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A Mercer aponta ainda que 100% das organizações inquiridas afirmam ter definida uma política de incentivos de curto prazo. “De acordo com os dados, os incentivos de curto prazo atribuídos ao CEO correspondem no target, em média, a 51% do respetivo salário base. Por sua vez, esta percentagem é ligeiramente superior para os executivos com reporte direto ao CEO, correspondendo em média a 48% do salário base”, explicam.

Eem média, o incentivo máximo a curto prazo corresponde a 95% do salário base do CEO, e de 92% no caso dos membros executivos com reporte ao CEO.

53% das organizações inquiridas têm ainda definida uma política de incentivos de longo prazo, tendo como principal incentivo a atribuição de ações com base no desempenho. O valor médio dos incentivos de longo prazo enquanto percentagem do salário base é de 63% para CEO e de 61% para os restantes diretores executivos.

“As organizações vivem tempos desafiantes. Ao mesmo tempo que se debatem com um cenário de incerteza ao nível geoeconómico, com os efeitos da inflação na redução dos rendimentos disponíveis, as organizações têm de procurar equilíbrio e adequação da sua política de remuneração de incentivos do topo à base da sua estrutura para manter a organização coesa e motivada”, afirma Tiago Borges, Business Leader de Career da Mercer Portugal.

Para 2023, a Mercer prevê que os aumentos salariais nos mercado maduros sejam superiores aos valores recentes, mas muito inferiores às atuais expetativas de inflação, que os pagamentos reais de bónus de desempenho serão provavelmente inferiores aos de anos anteriores na maioria dos setores, e que os valores dos incentivos de longo prazo podem permanecer ligeiramente deprimidos para as empresas que fixaram objetivos financeiros para 2022 no início pré-pandémico de 2020 com 2019 como ano base.

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