CEOs da Apple, Google, Facebook e Amazon defendem-se hoje em audição inédita no Congresso

Desde junho que a subcomissão tem vindo a realizar audiências com concorrentes de menor dimensão, que testemunham as supostas práticas monopolistas das gigantes.

Sónia Bexiga

Os CEO de quatro gigantes da tecnologia serão ouvidos no Congresso dos Estados Unidos hoje, quarta-feira, numa audição onde defenderão o crescente poder das suas empresas, tão na mira dos legisladores por estes dias.

O CEO da Amazon, Jeff Bezos, o CEO da Apple, Tim Cook, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, e Sundar Pichai, da Alphabet, dona da Google e YouTube, testemunharão no âmbito de uma investigação em curso, levantada pela Comissão de Justiça, numa subcomissão de Concorrência que investiga as práticas concorrenciais no digital.

Desde junho que a subcomissão tem vindo a realizar audiências com concorrentes de menor dimensão, que testemunham as supostas práticas monopolistas das gigantes. E agora, chegou o momento dos quatro grandes responderem a perguntas da Comissão.

Devido à pandemia da Covid-19, espera-se que os CEO participem remotamente, por videoconferência. Os legisladores esperam concluir as audiências num só dia o que, considerando a extensão das questões em cima da mesa, poderá não ser exequível.

De entre o muito que a Comissão pretender aferir, seguem-se os pontos mais quentes a esclarecer e o que está em jogo para cada empresa.

Continue a ler após a publicidade

Google
Atualmente, a Google é alvo de várias investigações ´’antitrust de vários procuradores gerais do estado, mas quarta-feira será a primeira vez desde 2018 que veremos o CEO Sundar Pichai ir ao Congresso. Os legisladores deverão concentrar-se no domínio da Google no mercado de pesquisa e publicidade. Segundo a ‘Bloomberg’, as alterações na pesquisa da Google tornaram mais caro o serviço para as empresas. Os legisladores também podem questionar como o negócio da publicidade digital da Google lucrou com conteúdos ‘tóxicos’, e ainda, sobre o discurso de ódio no YouTube.

É ainda possível que a Google seja questionada sobre a China, bem como as investigações ‘antitrust’ que enfrenta atualmente em vários estados.

Apple
Até o momento, a Apple conseguiu evitar mais reações adversas ‘antitrust’ do que outros membros desta lista, mas há uma preocupação crescente entre os legisladores de que a App Store – e o ecossistema de aplicações mais amplo – esteja a prejudicar os programadores. A Apple tem regras restritivas para programadores da App Store, incluindo um imposto de 15 a 30% nas compras dentro da aplicação que os concorrentes há muito argumentam que é injusto, embora a Apple diga que está alinhada com as taxas dos concorrentes . O Spotify foi um dos mais expressivos sobre este assunto. A App Store é a segunda maior produtora de receita da Apple depois do iPhone, mas as aplicações não estão sujeitos às mesmas regras de terceiros, e há muito se argumenta que isso dá à Apple uma vantagem injusta sobre a concorrência.

Continue a ler após a publicidade

Facebook
É provável que o Facebook enfrente o escrutínio sobre suas aquisições anteriores, que os críticos dizem que o Facebook usou como tática para neutralizar as ameaças à concorrência. A empresa adquiriu a Giphy no início deste ano por 400 milhões de dólares, o que provocou alarmes ‘antitrust’ – com os críticos a afirmar que o alcance da Giphy na internet pode ajudar a expandir a já massiva operação de rastreamento de anúncios do Facebook. A Facebook comprou uma grande quantidade de empresas grandes e pequenas nos 16 anos desde a sua fundação. A aquisição do Instagram e WhatsApp em 2012 e 2014, respetivamente, consolidou o Facebook como uma gigante global. Em 2013, comprou o Onavo Mobile, um aplicativo que usa IA para identificar outras empresas que poderiam fazer boas compras. A ‘Federal Trade Commission’ já está a investigar a Facebook sobre as suas recentes aquisições. Os legisladores também devem questionar as medidas do Facebook para impedir a disseminação de informações erradas e o discurso de ódio na sua plataforma, especialmente sobre a pandemia da COVID-19 e às vésperas das eleições de 2020.

Amazon
A Amazon já está sob um forte escrutínio dos reguladores ‘antitrust’ desde o ano passado, particularmente sobre o tratamento de empresas terceirizadas que vendem produtos através do seu site. Uma investigação do Wall Street Journal em abril descobriu que a Amazon usava frequentemente dados de vendedores de terceiros no seu site para definir planos para desenvolver os seus produtos de marca própria – essa revelação deu início a uma ampla investigação ‘antitrust’ contra a empresa na UE. Mais recentemente, dezenas de investidores e empreendedores acusaram a Amazon de investir nas suas empresas, obtendo acesso a informações, antes de lançar concorrentes. Muitas das startups foram esmagadas no processo e disseram não poder competir com a Amazon, uma vez que ela lançou o seu próprio serviço. A Amazon negou as alegações de que usava informações confidenciais. A Amazon também pode enfrentar questões mais atuais sobre a pandemia da COVID-19, que causou um aumento inesperado nos pedidos on-line e sobrecarregou os centros de atendimento da Amazon.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.