Centros de Saúde estão a cancelar consultas não urgentes. «Imagine o que é termos 77 mil casos ativos por dia»

O presidente da APMGF explica que a rápida evolução da pandemia torna impossível o acompanhamento diário dos doentes Covid, somado com o atendimento a todos os outros.

Revista de Imprensa

Os centros de saúde estão a ser obrigados a desmarcar consultas de doentes não urgentes devido à falta de profissionais de saúde que se tem tornado cada vez mais evidente com a evolução da crise de saúde pública da Covid-19. Este é o cenário traçado por Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Medicina Geral e Familiar (APMGF), em declarações ao Diário de Notícias (DN).

«Há unidades de saúde que já estão a adiar doentes e médicos que estão a deixar de fazer o que têm de fazer no acompanhamento de doentes para dar resposta à pandemia e até a deixar ir de férias», assume acrescentando: «Eu próprio hoje já tive de desmarcar doentes e férias que tinha na próxima semana, em outubro fiz o mesmo».

O responsável explica que a rápida evolução da pandemia torna impossível o acompanhamento diário dos doentes Covid, somado com o atendimento a todos os outros. «Imagine o que é termos 77 mil casos ativos por dia. O número mais alto que tivemos em abril, quando estávamos fechados em casa, foi da ordem dos 20 mil», refere citado pelo ‘DN’.

«Mais de 95% destes doentes são acompanhados pelos cuidados primários em casa, pelos médicos de família que têm de ligar diariamente para todos os doentes», acrescenta Rui Nogueira, dizendo que nem sempre se consegue fazer todo o acompanhamento necessário, porque «o dia não tem mais de 24 horas, eu bem gostaria».

O especialista critica o tempo demorado na resolução das necessidades de recursos humanos, que faz com que os médicos sejam obrigados a adiar trabalho uma vez que não conseguem assumir tanta carga, classificando a demora como «inacreditável».

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«Vivemos uma pandemia, estamos de novo em estado de emergência, não é aceitável que o procedimento burocrático para a contratação de médicos continue a ser o mesmo e com a mesma morosidade: o pedido de substituição de médico segue da unidade de saúde para o agrupamento, deste para a ARS e depois ainda para o ministério. O tempo que tudo isto leva é inacreditável», afirma.

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