Centro histórico de Lisboa está em saldos: quebra no turismo reduz os preços das casas

Voltou a ser possível arrendar uma casa no centro de Lisboa por 500 euros. De acordo com uma análise do jornal Expresso, a debandada repentina de turistas da freguesia de Santa Maria Maior (que inclui bairros como o Chiado, Castelo e Alfama) levou a uma redução dos preços. Aqui, onte 37% dos apartamentos estão registados como alojamento local, as casas passam a estar mais ao alcance da carteira dos portugueses.

De acordo com a mesma publicação, o número de anúncios nas plataformas imobiliárias online começou a aumentar: todos os dias, aparecem novos apartamentos para arrendamento de longa duração. Na quinta-feira desta semana, estavam disponíveis 281 ofertas desta freguesia no site Idealista e quase todas tinham em comum as mesmas características. Eram casas equipadas e mobilidas, prontas a habitar.

Havia, por exemplo, um T1 num rés-do-chão junto à Sé de Lisboa cujo preço tinha baixado de 800 para 500 euros e que estava disponível “para aluguer até seis meses com possibilidade de extensão, a avaliar dentro de dois a três meses”.

No OLX, por seu turno, moram exemplos como o de um T2+1 na Rua Augusta por 999 euros com contrato até 31 de Dezembro. «Na verdade, eu não sou o dono. Pago 1800 euros por mês ao senhorio desse apartamento, para o poder explorar. Só estou a tentar reduzir as perdas», conta o responsável por este anúncio ao Expresso. A mesma pessoa tem outras nove ofertas na mesma plataforma, incluindo um T1 em Alfama por 550 euros. «Mas embora estejam verdadeiramente baratos, o mercado não tem disponibilidade sequer para os ver», confessa.

O mesmo anunciante considera que as consultoras imobiliárias estão muito optimistas quando falam de quebras nos preços de arrendamento de 10%. Acredita que a descida nos preços será muito maior e que o mercado será inundado de casas. Só lá para a Primavera de 2021 é que turismo deverá começar a voltar, vaticina.

Segundo Eduardo Miranda, presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), o centro histórico de Lisboa sente mais o efeito de uma paragem no turismo como aquela que está a acontecer agora. O mesmo será verdade no Porto. Diz que há prédios inteiros vazios, verificando-se apenas alguns estrangeiros alojados enquanto esperavam por voos.

Ao jornal Expresso, adianta ainda que o que está a acontecer vem na sequência do que muitos investidores já tinham começado a sentir no ano passado. «Havia já uma tendência de migração para o arrendamento de longa duração», afirma, indicando que o mercado está a ficar sobrelotado.

«Nunca vimos isso com maus olhos. Sempre entendemos que era um processo que iria acontecer. Muita gente tinha vindo para o alojamento local com uma ilusão sobre margens de lucro que não correspondiam à verdade e com uma perspectiva errada sobre o que isto significa em termos de trabalho… sábados, domingos, feriados, disponibilidade total durante o que são normalmente períodos de férias», refere ainda Eduardo Miranda.

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