Dona da Sagres investe 33,5 milhões de euros para produzir cerveja com menos emissões

A Central de Cervejas inaugura hoje um investimento de 33,5 milhões de euros para produzir cerveja com menos emissões de carbono, cofinanciado em 8,8 milhões pelo PRR e numa parceria com a Siemens Portugal.

André Manuel Mendes

A Central de Cervejas e Bebidas está a avançar com um dos seus projetos mais relevantes na transição energética da Cervejeira de Vialonga, com a entrada em funcionamento de um sistema de recuperação de energia baseado numa bomba de calor, desenvolvido em parceria com a Siemens Portugal.

A energia térmica representa cerca de dois terços do consumo total da unidade industrial e continua a ser uma das áreas mais difíceis de descarbonizar, uma vez que é essencial para os processos de produção de cerveja e de transformação da cevada em malte, sendo atualmente maioritariamente obtida a partir de gás natural.

Entre 2017 e 2026, a Central de Cervejas e Bebidas já investiu 135 milhões de euros na sua transição energética. O percurso começou há mais de uma década com medidas de eficiência energética, incluindo a instalação de painéis solares nas suas unidades de produção. Desde 2024, todas as operações são alimentadas por eletricidade 100% renovável.

O novo projeto agora inaugurado na Cervejeira de Vialonga representa um investimento de 33,5 milhões de euros, com cofinanciamento de 8,8 milhões de euros através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e deverá permitir uma redução de cerca de 50% das emissões de CO₂ associadas à energia térmica — o equivalente a 7.381 toneladas por ano — além de ganhos de eficiência energética na ordem dos 39%.

Na prática, o sistema recupera calor excedente dos processos de refrigeração e utiliza eletricidade proveniente de fontes renováveis, como solar e eólica, para gerar energia térmica. Essa energia é depois distribuída através de um circuito de água quente, substituindo parcialmente o vapor produzido pelas caldeiras a gás natural.

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“Queremos liderar e acelerar a descarbonização da indústria cervejeira, apoiando as ambições globais da HEINEKEN e mostrando que é possível conciliar crescimento económico, inovação industrial e sustentabilidade”, afirma Julien Haex, diretor-geral da Central de Cervejas e Bebidas. “Este projeto é um exemplo concreto dessa visão, fruto da colaboração entre parceiros de excelência e do investimento próprio com apoio de políticas públicas.”

Por sua vez, Sofia Tenreiro, CEO da Siemens Portugal, sublinha o caráter tecnológico da solução: “No coração deste projeto está uma bomba de calor de alta temperatura de 6 megawatts — uma das primeiras desta escala em Portugal — que permite recuperar energia que antes era desperdiçada. É tecnologia com propósito, resultado de uma parceria entre empresas que partilham a mesma visão para uma indústria mais sustentável e competitiva.”

A inauguração contou ainda com a presença de Jean Barroca, que destacou o impacto industrial da transição energética. “A descarbonização da economia decide-se no chão da fábrica. Projetos como este mostram que é possível reduzir emissões e, ao mesmo tempo, reforçar a competitividade e a autonomia energética do país.”

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O projeto insere-se na estratégia de longo prazo da Central de Cervejas para atingir a neutralidade carbónica na produção até 2030. Em 2028, está prevista a instalação de uma bateria térmica, desenvolvida em parceria com a EDP e a Rondo, que permitirá armazenar energia renovável sob a forma de calor de alta temperatura e produzir vapor sem emissões de carbono.

O objetivo final passa por produzir cerveja com energia 100% renovável na Cervejeira de Vialonga e atingir a descarbonização de toda a cadeia de valor até 2040.

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