Centrais a carvão lideram top das 10 instalações mais poluentes em Portugal

A Central Termoeléctrica e a refinaria de Sines lideram a lista das instalações mais poluentes em Portugal. Logo depois, aparecem a Central Termoeléctrica do Pego, a Central de Ciclo Combinado da Tapada do Outeiro e a Cimpor (Alhandra), o que significa que as centrais a carvão e refinaria são as principais responsáveis pela emissão de gases com efeito de estufa no País. A conclusão é de um relatório da associação ambientalista Zero, reportado pelo Diário de Notícias, que partiu dos dados do registo do Comércio Europeu de Licenças Emissão (CELE) para elaborar o top.

Segundo a Zero, as centrais a carvão de Sines e Pego são responsáveis por 15% do total de emissões de dióxido de carbono-equivalente (medida utilizada a nível internacional para indicar a quantidade de gases com efeito de estufa) registadas em Portugal, em 2017. O mesmo relatório revela que o top 10, no seu conjunto, representa 28% do total de emissões. Além disso, das 10 instalações contempladas, 20,5% das emissões corresponde ao sector da produção de electricidade.

“Estes números reforçam a importância da concretização do anúncio do governo em encerrar todas as centrais que recorrem a carvão até 2030”, indica a Zero.

A associação sublinha ainda que as centrais a carvão em Portugal têm mecanismos para remoção de grande parte de determinados poluentes atmosféricos, mas que não é possível aplicar o mesmo sistema ao dióxido de carbono. A Zero afirma que, apesar de a eficiência na queima nestas instalações ser superior à de outras centrais em Espanha e noutros países, não é suficiente: são emitidos cerca de 900g/CO2-equivalente por cada kWh produzido. Uma central de ciclo combinado a gás natural, por comparação, emite 360g/CO2-equivalente por cada kWh, ao passo que uma central hídrica, solar ou eólica apresenta emissões zero.  

A tendência é de quebra

Apesar de o top 10 elaborado pela Zero destacar o peso do sector de produção de electricidade, a associação alerta para uma tendência mais positiva: a análise dos dados das Redes Energéticas Nacionais entre Janeiro e Outubro deste ano “mostra um cenário de enorme redução de emissões de gases com efeito de estufa entre os anos de 2018 e 2019”. O decréscimo de emissões nestes 10 meses do ano foi de 3,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

“Mesmo com um aumento significativo da produção de electricidade por centrais térmicas e em particular pelas centrais de ciclo combinado a gás natural, com a queda de produção das duas centrais de carvão quase para metade, as emissões totais associadas à produção de electricidade caíram aproximadamente 37%”, adianta a associação. A justificação passa pela relação entre os preços do carvão e do gás natural e pelo elevado preço das licenças de emissão de carbono no mercado europeu (a que acresce a taxa nacional e o imposto sobre combustíveis fósseis).

O “problema” TAP

Apesar de não entrarem na categoria de unidade industrial, as empresas de aviação estão incluídas no comércio europeu de licenças de emissão, explica a Zero, adiantando que a TAP ocupava o oitavo lugar na lista de 2017 com 1,2 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono. No ano passado, saltou para os 1,3 milhões de toneladas e para o quinto lugar.

“A aviação é um sector extremamente beneficiado pela isenção de impostos como o IVA (bilhetes e combustível) e imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP), contrariando as reduções de emissões que outros sectores apresentam”, alerta a Zero.

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