O ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno defendeu hoje que o país não deve seguir o caminho do aumento do consumo público e do consumo privado que se registou no último ano.
“No último ano houve uma aceleração do consumo público – enfim, devemos ter alguma cautela com isso – e o consumo privado foi a componente mais dinâmica da procura. Não é o caminho que o país deve seguir”, disse Mário Centeno.
O economista e ex-governador do Banco de Portugal falava no painel “Sustentabilidade e Resiliência da Economia Portuguesa”, durante o encontro da Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital, que termina hoje em Ílhavo, no distrito de Aveiro.
Perante uma plateia de empresários do setor elétrico nacional, Centeno começou por referir que nos últimos 10 anos, Portugal, sistematicamente, tem convergido com a área do euro, mas referiu que o país está a desacelerar em termos económicos.
“A pandemia foi recuperada – aliás, muito rapidamente – mas a economia portuguesa não tem estado a investir como investia antes”, afirmou.
Mário Centeno observou que no período pós-pandémico houve uma desaceleração do Produto Interno Bruto, mas considerou que o mais preocupante foi a “enorme desaceleração do investimento, que neste momento cresce, mas a 2,9%”.
Apesar disso, referiu que o país tem continuado a ganhar quota de mercado, em média anual, mas referiu que isso não aconteceu no último ano, o que, para o economista, constitui “uma enorme preocupação para uma economia pequena e aberta”.
Centeno, que se escusou a responder a perguntas dos jornalistas, avisou ainda que se a inflação vier aí, como aconteceu no passado, as taxas de juro sobem e o investimento retrai-se, e realçou que o país não pode pôr em causa o que conquistou com a redução da dívida, afirmando que foi “um dos grandes feitos da economia portuguesa”.
“Nós não podemos pôr em causa isso, porque, do ponto de vista macro, o país conseguiu um feito muito pouco usual, que é juntar a redução da dívida à capacidade do investimento”, defendeu.
Centeno disse, no entanto, que é possível olhar para o futuro com otimismo, adiantando que o país fez uma transformação significativa nas suas qualificações e pode beneficiar de um posicionamento altamente privilegiado na Europa, quer do ponto de vista geográfico, quer do ponto de vista das alianças e da estratégia que Portugal pode seguir na integração europeia.













