Centenas de milhares de russos fogem do país com ajuda das redes sociais: “A emigração é uma forma de protesto. Não há outra na Rússia”

Um dos destinos foi a Geórgia, país pelo qual a presidente Salome Zurabischwili estima que mais de 700 mil russos tenham passado na fuga a Putin. Pelo menos 100 mil terão ficado naquele país e os 600 mil restantes seguiram depois para a Arménia ou Turquia, continuando depois para a Europa.

Pedro Zagacho Gonçalves

Primeiro com a escalada de violência no conflito com a Ucrânia, depois quando Putin anunciou a mobilização parcial de reservistas: Foram largas as centenas de milhares de russos que abandonaram o seu país natal desde qua começou a invasão russa na Ucrânia.

Um dos destinos foi a Geórgia, país pelo qual a presidente Salome Zurabischwili estima que mais de 700 mil russos tenham passado na fuga a Putin. Pelo menos 100 mil terão ficado naquele país e os 600 mil restantes seguiram depois para a Arménia ou Turquia, continuando depois para a Europa.

Já o Ministério do Interior do Cazaquistão aponta que, só depois do anuncia da mobilização parcial de reservistas decretada por Putin, mais de 200 mil russos tenham entrado em território cazaque, dos quais cerca de 75% fugiram depois para países como o Uzebequistão, Quirguistão ou Turquia.

A Rússia nega este êxodo, com Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin e declarar que não tem “números exatos, mas que estão longe desses valores”. Desde setembro, está mais difícil sair da Rússia, já que com o medo de que agentes infiltrados do Kremlin se possam juntar aos refugiados, os países que fazem fronteira com a Rússia têm restringido a atribuição de vistos.

Muitos russos, escreve o ABC, chegam “a conta-gotas” a Berlim, principalmente à zona de Marzhan, no lado este da capital alemã: isto porque é lá que encontram cidadãos anónimos que os ajudam através da rede social Telegram, onde está a ser criada uma rede de contactos para ajudar estes russos que fogem das regras e leis de Putin.

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A sala de conversas chama-se agora ‘Guide to a free world’ (Guia para um mundo livre), e transformou-se numa comunidade, com milhares de pessoas de todo o mundo, que através deste canal criou uma nova vaga de imigração que escapa à maioria dos controlos.

“A imigração é uma forma de protesto legal. Não há outra forma de expressar a opinião na Rússia”, explica Irina Lobanovskaya, fundadora do grupo, que fugiu da Rússia para Istambul ainda antes da invasão à Ucrânia.

A ideia era ajudar alguns amigos que tinha deixado para trás, mas após o início da guerra, o grupo cresceu e cresceu. Em menos de um mês já eram mais de 100 mil os membros. “Duas semanas depois da guerra, havia mais de três mil mensagens para responder diariamente”, explica a responsável.

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Irina criou vários canais de Telegram para diferentes países, nos quais as pessoas podiam trocar informações sobre como decorria a entrada de russos nos territórios em causa e quais as condições de vida. Segundo a fundadora do grupo, hoje a comunidade tem mais de 200 mil pessoas, com canais próprios para 56 países.

“A minha irmã é que me falou do chat. EU avisei a minha mulher antes, porque se fosse eu a escrever algo, era uma questão de tempo até que me apanhassem, mas não tinha saída, tinha de ser de um dia para outro”, explica um russo, pai de duas filhas, que era guarda prisional e usou o grupo ‘Guide to a free world’ para fugir para a Alemanha.

Nos canais criados por Irina, são também dadas informações sobre como obter um visto, como arranjar abrigo, casa, trabalho, ou até educação para as crianças.

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