A pena aplicada a Vickrum Digwa, condenado pelo homicídio do estudante Henry Nowak, de 18 anos, vai ser analisada pelo Tribunal de Recurso britânico, depois de Ellie Reeves, responsável jurídica do Governo britânico, ter considerado que a sentença pode ter sido demasiado branda, indicou o ‘The Independent’.
Digwa foi condenado no início deste mês a prisão perpétua, com uma pena mínima de 21 anos, pelo homicídio de Henry Nowak, num caso que provocou protestos violentos em Southampton.
Ellie Reeves decidiu encaminhar o processo ao abrigo do mecanismo que permite rever penas consideradas excessivamente leves. Caberá agora ao Tribunal de Recurso decidir se a sentença foi, ou não, indevidamente branda.
“Este caso horrorizou-me, e sei que esse sentimento é partilhado pelo público britânico”, afirmou Reeves. A responsável acrescentou que há “perguntas difíceis” a responder sobre a forma como a polícia lidou com o homicídio de Henry Nowak, mas sublinhou que o seu papel é rever a pena aplicada a Digwa pelos crimes cometidos.
Estudante filmou o agressor antes do ataque
Durante o julgamento, o Tribunal da Coroa de Southampton ouviu que Digwa, de 23 anos, esfaqueou Henry Nowak até à morte com uma faca cerimonial sikh, a 3 de dezembro de 2025.
Momentos antes do ataque, Digwa foi filmado pela vítima enquanto lhe dizia: “Sou um homem mau”. Pouco depois, atacou o estudante com uma faca, provocando-lhe dois golpes na parte de trás das pernas e um ferimento fatal no coração.
Durante o julgamento, Digwa alegou que Henry Nowak, que descreveu como estando embriagado, o tinha insultado racialmente, agredido e feito cair o turbante. Disse ainda que esfaqueou o jovem nas pernas em legítima defesa, depois de Nowak o ter ameaçado e agarrado pelo cabelo.
O condenado afirmou também que, na altura, não percebeu que tinha causado o golpe fatal no peito da vítima.
Acusação falou em “mentira perversa”
A acusação rejeitou essa versão e afirmou que Digwa contou à polícia uma “mentira perversa” ao dizer que tinha sido vítima de um ataque racista.
Segundo o tribunal, também mentiu aos agentes ao afirmar que não tinha esfaqueado Henry Nowak, apesar de o estudante estar a pedir ajuda e a dizer à polícia que estava ferido.
Na sequência dessa versão inicial, os agentes acabaram por deter Henry Nowak e algemá-lo, momentos antes de este colapsar e perder a consciência. O jovem morreu apesar das tentativas de primeiros socorros feitas no local.
O tratamento dado pela polícia ao estudante desencadeou uma polémica política no Reino Unido e levou a apelos para que o caso não fosse usado para alimentar confrontos.
Starmer pede unidade após protestos
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pediu aos responsáveis políticos que respeitassem o apelo da família de Henry Nowak para que o caso não fosse usado “para causar distúrbios”.
Starmer reuniu-se também com a família do jovem em Downing Street e afirmou ter ficado “profundamente humilde” depois da conversa privada.
O chefe do Governo britânico apelou ainda ao país para escolher a unidade em vez do ódio, defendendo que Henry Nowak “merece um legado que vá além desta tragédia terrível”.
Ao remeter a sentença para o Tribunal de Recurso, Ellie Reeves afirmou que nenhuma pena poderá desfazer a devastação sofrida pela família do estudante. Ainda assim, disse esperar que esta decisão ajude a aproximar os familiares da justiça que merecem.
O caso ficará agora nas mãos do Tribunal de Recurso, que terá de decidir se a pena mínima de 21 anos aplicada a Vickrum Digwa deve ser mantida ou agravada.















