Caso Epstein volta a abalar Reino Unido: polícia britânica investiga novas alegações de abusos sexuais de menores

Nova investigação surge depois de, em fevereiro, a polícia de Surrey ter apelado a testemunhas para que apresentassem informação sobre alegações contidas num relatório parcialmente censurado divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA

Francisco Laranjeira

A polícia de Surrey, no Reino Unido, está a investigar duas alegações separadas de abusos sexuais de menores ocorridos há várias décadas, depois da divulgação de ficheiros ligados ao falecido Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, noticia o ‘The Independent’.

Segundo a força policial, uma das denúncias está relacionada com locais em Surrey e Berkshire entre meados da década de 1990 e o ano 2000. A outra diz respeito a West Surrey, entre meados e finais dos anos 80. Até ao momento, não foram feitas detenções. A ‘Reuters’ também confirmou que a investigação envolve duas alegações de abusos sexuais de menores associadas a informação contida nos documentos americanos sobre Epstein.

A nova investigação surge depois de, em fevereiro, a polícia de Surrey ter apelado a testemunhas para que apresentassem informação sobre alegações contidas num relatório parcialmente censurado divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA. Esse documento fazia referência a alegados crimes de tráfico humano e agressões sexuais contra uma menor em Virginia Water, no condado de Surrey, entre 1994 e 1996.

O apelo da polícia ocorreu na sequência de um relatório do FBI de julho de 2020, incluído nos ficheiros, que mencionava alegações envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor e Ghislaine Maxwell em Surrey, em meados da década de 1990. As alegações terão surgido através de uma denúncia anónima às autoridades, segundo o ‘The Independent’.

A polícia de Surrey afirmou que, após rever os seus sistemas internos com a informação então disponível, não encontrou registo de que essas alegações tivessem sido previamente comunicadas à força policial. Ainda assim, decidiu apelar a qualquer pessoa com informação relevante para que contactasse as autoridades.

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Num comunicado sobre a nova investigação, a polícia confirmou que está a analisar “duas alegações separadas de abusos sexuais de menores não recentes” na sequência da divulgação dos ficheiros ligados a Jeffrey Epstein. “Não foram feitas detenções. Levamos a sério todas as denúncias de crimes sexuais e trabalharemos para identificar quaisquer linhas de investigação razoáveis que permitam verificar informação ou estabelecer provas corroborantes”, indicou a força policial, citada por vários meios britânicos.

O caso insere-se num esforço mais amplo de várias forças policiais britânicas para rever informação incluída nos milhões de páginas de documentos sobre Epstein divulgadas pelas autoridades americanas. A ‘Associated Press’ avança que pelo menos oito forças policiais no Reino Unido estão a avaliar informação relacionada com os ficheiros, com coordenação nacional através do National Police Chiefs’ Council.

A investigação de Surrey junta-se a outras averiguações abertas no Reino Unido depois da divulgação dos documentos. O ‘The Independent’ refere que a Thames Valley Police e a Metropolitan Police conduziram investigações separadas que levaram à detenção de Andrew Mountbatten-Windsor e do antigo embaixador americano Peter Mandelson por suspeitas de má conduta em cargo público. Ambos negam qualquer irregularidade.

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Nesses casos, as suspeitas estão relacionadas com alegações de que terão transmitido informação confidencial do Governo ao antigo financiador Jeffrey Epstein. As autoridades britânicas sublinham que estas investigações decorrem separadamente das novas alegações de abusos sexuais agora analisadas pela polícia de Surrey.

Jeffrey Epstein morreu em 2019 numa prisão de Nova Iorque, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual e conspiração. Ghislaine Maxwell foi posteriormente condenada por crimes ligados ao recrutamento e exploração sexual de menores para Epstein.

Para já, a polícia britânica não divulgou mais detalhes sobre as duas novas denúncias, nem identificou suspeitos. A prioridade das autoridades passa por verificar a informação contida nos ficheiros, procurar elementos de corroboração e apurar se existem testemunhas ou vítimas que ainda não tenham sido ouvidas.

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