A crescente complexidade do ambiente digital está a expor os jovens a riscos cada vez mais sofisticados, desde discurso de ódio e fraudes a situações de ciberbullying. Apesar de mais conectados, muitos sentem-se menos seguros online. Ainda assim, há sinais positivos: a maioria dos adolescentes já procura ajuda quando enfrenta situações de risco, refletindo maior consciência e resiliência.
Em Portugal, esta realidade é evidente. Em 2025, a Linha Internet Segura registou 949 casos de cibercrime e violência, um aumento de 39% face ao ano anterior, com destaque para burlas e extorsão. Este crescimento evidencia a necessidade urgente de respostas mais rápidas, acessíveis e eficazes, sobretudo nos momentos iniciais, quando o apoio pode fazer a diferença.
É neste contexto que surge o novo chatbot da Linha Internet Segura, desenvolvido no âmbito do Centro Internet Segura, um consórcio que reúne entidades como a Microsoft Portugal, a APAV e o Centro Nacional de Cibersegurança, entre outras. A ferramenta foi criada em parceria com a Visual Thinking e integra tecnologia avançada de inteligência artificial para apoiar vítimas, familiares e cidadãos em geral.
O chatbot foi concebido como um canal de apoio imediato, disponível 24 horas por dia, garantindo confidencialidade e acessibilidade. Funciona como uma porta de entrada para quem ainda não se sente preparado para contactar diretamente um técnico especializado, oferecendo informação validada e orientações práticas sobre como agir em situações de risco.
Baseado na tecnologia Azure OpenAI, o sistema assegura elevados padrões de segurança, privacidade e conformidade. Todos os conteúdos foram validados pela APAV, garantindo rigor e sensibilidade no apoio prestado. A infraestrutura permite ainda que os dados permaneçam sob controlo exclusivo da organização, com encriptação e residência na União Europeia.
Importa sublinhar que esta solução não substitui o apoio humano, mas complementa-o, ajudando a reduzir barreiras e a incentivar as vítimas a procurarem ajuda especializada.
Os testes-piloto, realizados numa escola em Vila Nova de Gaia, evidenciaram o impacto da solução, sobretudo ao nível da confiança dos jovens. Inicialmente hesitantes, muitos utilizadores passaram a interagir com o chatbot após compreenderem que o sistema não recolhe dados pessoais, reforçando a importância da transparência e da privacidade.








