Caso das Gémeas: Mãe nega ter recebido indevidos e diz que dinheiro nas contas vinha de crowdfunding

Daniela Martins, mãe das gémeas luso-brasileiras envolvidas no chamado Caso das Gémeas, rejeita ter pedido ou recebido apoios do Estado português a que as filhas não tivessem direito.

Pedro Zagacho Gonçalves

Daniela Martins, mãe das gémeas luso-brasileiras envolvidas no chamado Caso das Gémeas, rejeita ter pedido ou recebido apoios do Estado português a que as filhas não tivessem direito. Numa entrevista à RTP, a mãe das crianças explicou que as quantias que passaram pelas suas contas bancárias tinham origem numa campanha de crowdfunding realizada antes da deslocação da família para Portugal.

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Em declarações ao programa “Prova dos Factos”, que é emitido esta sexta-feira, a mãe das gémeas foi questionada sobre os valores movimentados numa conta pessoal e sobre uma eventual incompatibilidade entre a situação financeira da família e os apoios solicitados em Portugal.

Daniela Martins explicou que o dinheiro existente nas suas contas não correspondia a rendimentos regulares, mas a uma angariação de fundos realizada no Brasil antes da viagem da família para Portugal.

“É público que antes de eu ir para Portugal fiz um crowdfunding, uma angariação de fundos. Eu tinha um dinheiro proveniente para comprar a medicação, esse dinheiro estava numa conta do Brasil e foi usado, posteriormente, lá em Portugal para eu continuar a viver com as meninas, a fazer a reabilitação”, afirmou.

Daniela Martins garantiu que, sempre que procurou obter prestações ou outros apoios públicos em Portugal, apresentou a documentação que lhe foi exigida.

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A mãe das crianças rejeitou, por isso, que tenha recebido prestações superiores àquelas a que as filhas tinham direito e contestou qualquer ideia de que tenha omitido informação para obter benefícios públicos.

“Nada do que eu pedi foi a mais do que eu tinha direito, do que as meninas tinham direito”, afirmou.

A explicação surge num contexto de questões levantadas sobre as quantias movimentadas nas contas de Daniela Martins e sobre a eventual compatibilidade desses valores com os apoios solicitados em Portugal.

Segundo a própria, o dinheiro resultante do crowdfunding tinha sido angariado antes da chegada da família ao país e destinava-se inicialmente à compra de medicação. Posteriormente, parte dessas verbas foi utilizada em Portugal para assegurar a subsistência da família e dar continuidade à reabilitação das crianças.

Tratamentos das gémeas custam mais de mil euros por mês
Durante a entrevista, Daniela Martins foi também questionada sobre as despesas que atualmente tem com as filhas.

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A mãe das gémeas estima que os tratamentos e as restantes necessidades das crianças representem uma despesa superior a mil euros por mês.

A responsável explicou ainda as circunstâncias relacionadas com os diferentes equipamentos de mobilidade que foram pedidos para as crianças, nomeadamente as cadeiras destinadas às gémeas e uma cadeira motorizada.

Segundo Daniela Martins, as prescrições foram feitas por profissionais de saúde e os equipamentos tinham finalidades diferentes.

Uma das cadeiras destinava-se ao transporte das crianças com necessidades especiais, enquanto o pedido posterior de uma cadeira motorizada esteve relacionado com a aproximação da idade escolar e com a necessidade de aumentar a autonomia das gémeas.

“Elas ganharam uma cadeira de crianças com necessidades especiais e depois eu pedi ainda a motorizada, porque na altura elas já estavam quase em idade escolar e precisavam criar uma independência. São finalidades diferentes que vão ser contestadas pelos meus advogados”, explicou.

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