Caso BES: Ricardo Salgado acusado de roubar identidade de um porteiro espanhol

O antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, foi acusado de roubar a identidade de um cidadão espanhol.

Revista de Imprensa

O antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, foi acusado de roubar a identidade de um cidadão espanhol, Domingos Galan Macias, porteiro de profissão, avança a ‘SÁBADO’.

Em causa está uma operação, de responsabilidade atribuída a Ricardo Salgado e João Alexandre Silva, também ex-responsável pelo BES/ Madeira, para forjar um investimento da empresa venezuelana de petróleo, PDVSA, no BES.

Este episódio corresponde ao inicio do ano de 2014, altura em que se tornou pública a situação de dívida da instituição financeira, que levou a empresa venezuelana a perder o interesse em investir no grupo português.

Neste sentido, segundo a acusação do Ministério Público (MP), «Ricardo Salgado engendrou um esquema pelo qual ficcionou a existência de um concurso/convite lançado pela PDVSA para a gestão de um fundo de activos e de uma carteira de investimentos», para que o dinheiro continuasse no grupo e fazendo «crer aos serviços do BES da verdade daquele convite/concurso”, o qual acabaria por resultar na “adjudicação” à ESAF de um negócio que compreenderia “investimento em capital social da Rioforte».

Por sua vez, João Alexandre Silva «recrutou o cidadão venezuelano José Trindad Márquez», para ficar com a identidade de Domingos Galan Macias, porteiro, residente na capital espanhola. De acordo com a ‘SÁBADO’, assim que o cidadão se apercebeu do roubo do seu documento de identificação, apresentou de imediato queixa na polícia.

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Depois do sucedido, o suposto «Domingos Galan Matias» passou a ser visto como representante da PDVSA. «Sob a égide e controlo de Ricardo Salgado, e com a participação de João Alexandre Silva, e à revelia dos órgãos de governo das empresas PDVSA, iniciou-se um processo de produção de documentos forjados para fazer crer aos serviços do BES a existência do referido concurso lançado pela PDVSA», pode ler-se na acusação do MP.

A operação foi ainda mais longe, quando o «falso» Domingos Galan Macias esteve reunido presencialmente com Amílcar Morais Pires, João Alexandre Silva, Célia Tairum, Isabel Almeida, Elsa Ramalho, Pedro Gomes, Pedro Costa e Ana Rita Barosa, para apresentar uma proposta «de contrato forjado», que consistia na gestão de mais de 2,5 milhões de euros em activos e que foi concluída a 11 de Abril de 2014.

Desta forma, o grupo do BES anulou os saldos negativos, melhorando também a situação financeira da Rioforte. Quanto ao venezuelano que se fez passar pelo porteiro espanhol, recebeu 4,5 milhões de euros pela operação.

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