Os ativistas russos anti-guerra e jornalistas que se têm manifestado contra a invasão da Ucrânia por parte da Rússia têm sido alvo de intimidação, com as suas casas a serem vandalizadas, de acordo com a BBC.
As portas das suas residências têm sido marcadas com graffitis ameaçadores, e os ativistas são denominados de “traidores”. Em muitos casos é pintada a letra Z, um símbolo de apoio às forças russas que estão a combater na Ucrânia.
Há casos de ameaças mais extremas. Um proeminente jornalista russo, Alexei Venediktov, encontrou uma cabeça de porco com uma peruca à porta de casa. Na sua porta estava um autocolante antisemita. Venediktov era editor da rádio Ekho que teve de parar de transmitir devido à crescente censura do Kremlin.
Numa publicação no Telegram, Venediktov assinalou a ironia de um ataque antisemita no “país que derrotou o fascismo”.
A conhecida ativista política Darya Kheikinen também tem sido intimidada. Durante duas noites seguidas deixaram-lhe estrume à porta de casa na cidade de São Petersburgo. Também escreveram “traidora” na porta e afixaram vários papéis com mensagens como “uma traidora da pátria vive aqui”.
“Provavelmente aconteceu devido às minhas declarações contra a guerra e opiniões opostas” ao governo, disse Darya Kheikinen, que acrescentou que ataques semelhantes ocorreram contra outros três ativistas que também vivem em São Petersburgo.
As mensagens intimidatórias que têm sido feitas refletem a narrativa do Kremlin sobre a guerra.
As consequências para quem decide opor-se publicamente à ofensiva militar russa na Ucrânia são diversas, e podem incluir perder o emprego ou num caso mais extremo serem processados criminalmente.








