Procurar casa fora das capitais de distrito pode representar uma diferença significativa no orçamento das famílias, mostram dados do Imovirtual. Em várias regiões do país, os concelhos localizados a cerca de 30 minutos dos principais centros urbanos apresentam preços médios de apartamentos substancialmente inferiores, sem obrigar os compradores a afastarem-se totalmente das cidades.
A maior diferença verifica-se na região de Lisboa. Enquanto o preço médio de um apartamento no mercado primário da capital se situa nos 685.000 euros, os concelhos analisados a cerca de 30 minutos apresentam um preço médio de 425.000 euros. A diferença chega, assim, aos 260.000 euros.
Entre as alternativas mais acessíveis na envolvente de Lisboa surgem Alenquer, com um preço médio de 275.000 euros, Sintra, nos 310.000 euros, e Amadora, nos 319.500 euros. Os dados mostram que alargar o raio de procura pode abrir opções com valores muito abaixo dos praticados na capital.
No Porto, a diferença é menor, mas continua relevante. A capital de distrito apresenta um preço médio de 425.000 euros, enquanto os concelhos analisados registam um preço médio de 365.900 euros, menos 59.100 euros. Entre as opções mais acessíveis destacam-se Felgueiras, com 265.000 euros, Paredes, com 270.000 euros, e Gondomar, com 298.000 euros.
Lisboa e Porto não são os únicos exemplos. Em Aveiro, o preço médio desce de 460.000 euros na capital de distrito para 279.000 euros nos concelhos vizinhos, uma diferença de 181.000 euros. Murtosa, com 198.000 euros, Arouca, com 200.000 euros, e Sever do Vouga, com 215.000 euros, surgem entre os mercados mais acessíveis.
Em Viseu, a diferença atinge os 150.000 euros. O preço médio nos concelhos acessíveis fixa-se nos 195.000 euros, face aos 345.000 euros registados na capital de distrito. É também o maior diferencial relativo do país, com uma descida de 43,5%. Sátão, com 114.000 euros, e Santa Comba Dão, com 114.250 euros, estão entre as opções mais baratas da região.
Em termos percentuais, Viseu apresenta o maior diferencial entre a capital de distrito e os concelhos vizinhos, com menos 43,5%, seguido de Aveiro, com menos 39,3%, e Lisboa, com menos 38,0%. Para muitas famílias, estas diferenças podem ser determinantes no momento de ajustar expectativas, crédito e localização.
“Os dados revelam que, em muitas regiões do país, é possível encontrar diferenças muito significativas de preço a poucos quilómetros de distância. Para muitas famílias, alargar ligeiramente o raio de procura pode representar poupanças muito relevantes, sem abdicar da proximidade aos principais centros urbanos. Ao mesmo tempo, estes dados mostram que nem todas as periferias são necessariamente mais acessíveis, existindo mercados onde a procura já está a pressionar fortemente os preços”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
A análise mostra precisamente que viver mais longe nem sempre significa pagar menos. Em Setúbal e Leiria, os concelhos vizinhos apresentam preços médios superiores aos das próprias capitais de distrito, contrariando a lógica tradicional de que a periferia é necessariamente mais acessível.
Em Setúbal, o preço médio dos concelhos analisados atinge os 360.000 euros, acima dos 336.000 euros registados na capital de distrito. Em Leiria, a envolvente apresenta um preço médio de 330.000 euros, superior aos 320.000 euros observados na cidade. A inversão é particularmente visível em mercados como Sesimbra, Almada, Nazaré ou Óbidos, onde a proximidade à costa e a elevada procura continuam a pressionar os preços.
Os dados do Imovirtual indicam ainda que alguns dos principais mercados acessíveis estão a registar ajustamentos. Nos concelhos analisados da região de Lisboa, os valores médios recuaram 5,3% face ao ano anterior, enquanto no Porto a descida foi de 5,0%. Em sentido contrário, distritos como Leiria, com uma subida de 15,8%, Viseu, com 14,7%, Faro, com 12,4%, e Braga, com 10,2%, registaram valorizações acima da média.
A relação entre distância e preço é, por isso, hoje mais complexa do que no passado. Há famílias que conseguem encontrar poupanças relevantes a poucos quilómetros dos principais centros urbanos, mas há também mercados onde a procura já anulou essa vantagem e elevou os preços para níveis superiores aos das capitais de distrito.
No conjunto, os dados apontam para um comprador mais racional e criterioso, que usa os portais imobiliários de forma estratégica, orientado por limites financeiros, localização e características concretas da habitação. Num mercado ainda pressionado pelos preços, alargar o mapa de procura pode fazer a diferença, mas já não garante, por si só, encontrar casa mais barata.



