A administração Trump está a considerar a possibilidade de reduzir as tarifas aplicadas às importações chinesas, como parte de um eventual processo negocial com o governo de Pequim. A informação foi avançada esta quarta-feira por uma fonte próxima do executivo norte-americano, citada pela agência Reuters, que sublinha que qualquer decisão nesse sentido estaria condicionada ao andamento das conversações bilaterais e não seria tomada de forma unilateral.
As declarações surgem na sequência de uma notícia publicada pelo Wall Street Journal, que revelou que a Casa Branca está a avaliar formas de aliviar as tensões comerciais com a China, através de uma possível descida das tarifas atualmente em vigor. Segundo o jornal norte-americano, as tarifas sobre produtos chineses poderão ser reduzidas para um intervalo entre 50% e 65%, citando declarações de um responsável da Casa Branca.
Recorde-se que, desde o seu regresso ao poder em janeiro de 2025, Donald Trump reforçou significativamente as taxas aduaneiras sobre produtos chineses, elevando-as para 145%, como parte de uma estratégia de pressão sobre Pequim para renegociar termos comerciais considerados desfavoráveis para os EUA.
Apesar destas intenções, a decisão final ainda não foi tomada, adiantou o Wall Street Journal, acrescentando que as discussões permanecem numa fase preliminar, estando várias hipóteses ainda em cima da mesa.
A Casa Branca recusou-se a comentar oficialmente a informação, segundo a Reuters.
A notícia teve impacto imediato nos mercados financeiros norte-americanos, que reagiram positivamente ao sinal de possível desanuviamento nas relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo. O índice S&P 500 subiu 3,3%, atingindo o seu valor mais elevado das últimas duas semanas. O otimismo dos investidores foi reforçado por declarações feitas por Trump na noite de terça-feira, nas quais se mostrou confiante de que será possível alcançar um entendimento com a China que leve a uma redução substancial das tarifas atualmente aplicadas. “Não será assim tão alto. Nem perto disso”, afirmou o presidente, quando questionado sobre os níveis atuais das tarifas.
Paralelamente, a administração está também a considerar uma abordagem escalonada, inspirada numa proposta apresentada em 2024 por uma comissão da Câmara dos Representantes dedicada à China. Esta abordagem prevê tarifas de 35% sobre produtos que não sejam considerados uma ameaça à segurança nacional dos EUA, e tarifas de pelo menos 100% sobre bens classificados como estratégicos para os interesses do país. Esta proposta prevê ainda uma aplicação faseada das taxas ao longo de cinco anos.
Apesar da retórica dura que tem mantido relativamente à China, Trump tem dado sinais de abertura a um acordo que reduza as tarifas, desde que isso se traduza numa melhoria clara das condições para os Estados Unidos. Na terça-feira, deixou um aviso: “Se eles não fizerem um acordo, seremos nós a definir os termos.”












