Os Estados Unidos estarão a perder entre 19 mil milhões e 26 mil milhões de dólares — cerca de 16,5 mil milhões a 22,6 mil milhões de euros — em receitas fiscais todos os anos devido a esquemas utilizados para contornar as tarifas sobre as importações. A estimativa consta de um novo relatório da Casa Branca, que aponta o chamado “transbordo” de mercadorias através de países terceiros como uma das principais formas de evasão.
Segundo a ‘Euronews’, o documento divulgado esta quinta-feira estima que mercadorias avaliadas entre 34,2 mil milhões e 303 mil milhões de dólares — aproximadamente 29,7 mil milhões a 263 mil milhões de euros — possam ser anualmente encaminhadas através de outros países para evitar direitos aduaneiros.
Para calcular a perda de receitas, a administração de Donald Trump utilizou como valor de referência 75 mil milhões de dólares em mercadorias sujeitas a este tipo de operação.
China acusada de utilizar mais de 40 países
No centro das acusações está a China. Peter Navarro, conselheiro comercial da Casa Branca, afirmou numa teleconferência com jornalistas que Pequim estará a utilizar mais de 40 países para fazer chegar produtos aos Estados Unidos evitando as tarifas aplicáveis às importações diretamente provenientes da China.
“Durante anos, o grande esquema de transbordo permitiu que a China comunista ‘branqueasse’ as suas exportações”, acusou Navarro.
O mecanismo pode passar pelo envio de produtos chineses para países terceiros, onde são sujeitos a operações de embalagem ou montagem antes de serem exportados para os Estados Unidos.
Segundo a investigação citada pela ‘Euronews’, a prática ganhou expressão depois do aumento das tarifas americanas em 2018. México e Malásia estão entre os países utilizados para estas operações.
Washington ameaça quem ajudar a contornar tarifas
A Casa Branca sustenta que o problema não reside apenas nos países de origem das mercadorias. Os Estados que facilitem ou permitam esquemas destinados a esconder a verdadeira proveniência dos produtos também poderão enfrentar consequências.
Navarro adiantou que os novos quadros comerciais negociados pela administração Trump deverão incluir cláusulas destinadas precisamente a penalizar parceiros envolvidos nestas práticas. O responsável referiu que outros países, incluindo a Índia, poderão potencialmente ser utilizados para encaminhar mercadorias e evitar direitos aduaneiros.
A ofensiva acontece numa altura em que Trump fez das tarifas um dos pilares da política económica do segundo mandato, impondo direitos aduaneiros elevados a produtos provenientes tanto de adversários como de aliados.
Inteligência artificial entra na caça à evasão
Washington está também a recorrer à tecnologia para tentar fechar as portas aos esquemas. Segundo Navarro, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA lançou um programa-piloto que utiliza inteligência artificial para identificar possíveis casos de transbordo.
Se as autoridades concluírem que um importador falsificou a origem de uma mercadoria para evitar tarifas, poderão ser cobrados retroativamente direitos aduaneiros correspondentes a aproximadamente um ano.
A dimensão do problema ajuda a explicar o reforço da fiscalização. Mesmo utilizando a estimativa central da Casa Branca, dezenas de milhares de milhões de dólares em mercadorias estarão todos os anos a chegar aos Estados Unidos através de circuitos destinados a reduzir ou evitar tarifas — deixando, segundo Washington, um “buraco” que pode atingir 26 mil milhões de dólares anuais nas receitas públicas.



















