Casa Branca confirma que tarifas para a China sobem para 104% já a partir de amanhã

As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às importações oriundas da China sobem esta quarta-feira, 9 de abril, para um total de 104%, confirmou a Casa Branca. A medida representa um novo capítulo na escalada da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e surge após Pequim recusar recuar nas medidas retaliatórias previamente anunciadas.

Pedro Gonçalves

As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às importações oriundas da China sobem esta quarta-feira, 9 de abril, para um total de 104%, confirmou a Casa Branca. A medida representa um novo capítulo na escalada da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e surge após Pequim recusar recuar nas medidas retaliatórias previamente anunciadas.

A decisão foi anunciada na tarde de terça-feira, pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em declarações à Fox Business. Leavitt confirmou que as tarifas atualizadas entram em vigor esta quarta-feira e resultam diretamente do facto de a China não ter desistido da sua retaliação dentro do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump, que expirava às 13h do mesmo dia.



Horas antes, Trump tinha escrito na sua rede social que aguardava uma chamada da liderança chinesa para discutir os termos das tarifas, sinalizando abertura para diálogo. No entanto, a comunicação não aconteceu.

Durante a madrugada de terça-feira, o governo chinês declarou publicamente que não recuaria nas suas medidas e que estava preparado para continuar a responder ao aumento das tarifas americanas. “Numa guerra comercial, não há vencedores”, advertiu o porta-voz oficial de Pequim, reafirmando a determinação da China em defender os seus interesses económicos.

Este novo aumento das tarifas por parte dos EUA foi despoletado pela retaliação anunciada por Pequim na passada sexta-feira, 4 de abril, quando a China decidiu impor também uma taxa de 34% sobre produtos norte-americanos. Esta medida foi uma resposta direta à decisão de Trump, tomada no dia 2, de aplicar tarifas a produtos provenientes de 180 países — com a Ásia a ser o continente mais atingido.

No caso específico da China, Trump anunciou inicialmente uma taxa adicional de 34%, elevando os direitos alfandegários totais sobre os produtos chineses para 54%. Após a resposta de Pequim, Trump ameaçou aplicar mais 50% de sobretaxa, caso a China não desistisse da sua retaliação. Dado o impasse, a nova tarifa de 104% passa agora a vigorar.

Escalada preocupante
O agravamento das tarifas representa um endurecimento significativo da política comercial da atual administração norte-americana e poderá ter efeitos disruptivos no comércio global, aumentando os custos para consumidores e empresas de ambos os países. O gesto também aprofunda as tensões geopolíticas entre Washington e Pequim, num momento em que as cadeias de abastecimento globais continuam vulneráveis.

A subida das tarifas deverá atingir uma vasta gama de bens, embora ainda não tenha sido divulgado em detalhe quais os produtos abrangidos pela medida. O mercado financeiro reagiu com cautela, com os analistas a alertarem para potenciais repercussões nos mercados cambiais e bolsistas internacionais.

Apesar da ausência de diálogo formal, fontes próximas da administração norte-americana não descartam a possibilidade de futuras negociações, desde que a China demonstre abertura para rever as suas políticas comerciais.

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