Cartéis de droga mudam-se para Portugal devido à proibição de lanchas rápidas em Espanha

Em Portugal, a construção e posse de lanchas rápidas é legal, desde que devidamente licenciada, sendo que mesmo quando isso não acontece, a penalização é apenas uma coima.

Revista de Imprensa

Vários cartéis de droga começaram a sair de Espanha rumo a Portugal, aproveitando a lei mais branda que permite a construção de lanchas rápidas, usadas para traficar cocaína e haxixe, ao contrário do que acontece no país vizinho.

Segundo o ‘Jornal de Notícias’ (JN), no ano passado, foram apreendidas 19,6 toneladas de droga em Portugal proveniente desses cartéis e só nos últimos dois meses foram recolhidas cinco “lanchas voadoras”, como são conhecidas pela sua rapidez.

Dados da Polícia Judiciária (PJ) disponibilizados ao jornal mostram que em 2021 foram apreendidas 10,7 toneladas de haxixe, 8,8 toneladas de cocaína, 22,7 quilos de heroína e ainda 7142 comprimidos de ecstasy.

Estes números são inferiores aos de 2020, devido à capacidade de adaptação dos cartéis. “A procura de novos pontos de entrada de droga na Europa justifica as menores quantidades apreendidas”, explica ao ‘JN’ Artur Vaz, diretor da Unidade Nacional do Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ.

Portugal “não é, nem de perto nem de longe, a principal porta de entrada de droga na Europa”, mas continua a ser um ponto estratégico para diversos cartéis, por causa das “ligações de Portugal à América Latina e ao Norte de África”, sublinha ainda o responsável.

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Para além disso, adianta, as restrições impostas da pandemia forçaram também o aparecimento de novos modus operandi. “Houve um acréscimo do tráfico pelas redes sociais e por via postal. Esta não é a forma predominante, mas está a crescer”, alerta Artur Vaz.

A lei espanhola proíbe, desde 2018, a construção e posse de embarcações insufláveis e semirrígidas que, com menos de oito metros de comprimento, tenham motores com mais de 204 cavalos.

Em Portugal, por outro lado, a construção e posse de lanchas rápidas é legal, desde que devidamente licenciada, sendo que mesmo quando isso não acontece, a penalização é apenas uma coima, cujo valor varia entre 500 e 2500 euros, o que motiva a vinda destes barcos para o país.

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