No Brasil, mais de 200 personalidades escreveram uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro. Dezenas de economistas, banqueiros, empresários e antigos funcionários do setor público criticam a resposta do governante à pandemia e pedem soluções.
Segundo a BBC, os assinantes exigem principalmente mais vacinas contra a covid-19, máscaras gratuitas e eficazes, e medidas de distanciamento físico para fazer face ao crescente surto pandémico.
A carta faz, em primeiro lugar, um diagnóstico da situação sanitária e económica do país e, em segundo lugar, defende três grandes medidas contra o avanço da covid-19.
“Não há mais tempo para perder com debates inúteis e notícias falsas. Precisamos de nos guiar pelas experiências bem-sucedidas, por ações de baixo custo e alto impacto, por iniciativas que possam reverter de facto a situação sem precedentes que o país vive”, apela a carta.
“O Brasil é hoje o epicentro mundial da covid-19, com a maior média de novos casos”, lê-se logo no início do documento.
Nas últimas três semanas, o Brasil tem registado sucessivos ‘recordes’ de mortes por covid-19. O Brasil é o segundo país com mais casos e mortes por coronavírus, apenas ultrapassado pelos Estados Unidos, apesar de atualmente ocupar o primeiro lugar em números diários de infetados e mortes.
O país está a enfrentar uma segunda vaga da pandemia mais virulenta e mortal em comparação com o primeiro surto, agravada pela circulação de variantes consideradas mais transmissíveis e com a quase totalidade dos estados brasileiros próximos do colapso sanitário.
Os signatários da carta aberta dizem ainda que “a insuficiente oferta de vacinas no país não se deve ao seu elevado custo, nem à falta de recursos orçamentários, mas à falta de prioridade atribuída à vacinação”.
Além disso, pedem a distribuição massiva de máscaras eficazes que não custam mais do que três reais (cerca de 50 cêntimos). Querem ainda uma coordenação nacional para diretrizes e distanciamento social.
“Muitos Estados não tiveram alternativa senão adotar medidas mais drásticas, como o encerramento de todas as atividades não essenciais e o toque de recolher obrigatório à noite”.
Desde o início da pandemia, o Brasil registou cerca de 11,9 milhões de infeções e 294 mil mortes por covid-19, segundo a contagem independente da Johns Hopkins.














