Carro, transportes públicos ou bicicleta? Saiba o que preferem os europeus

Apesar da UE ter fornecido cerca de 16,3 biliões de euros em financiamento para os transportes, as cidades europeias ainda não conseguiram convencer a população a deixar de usar o carro.

Simone Silva

Os europeus continuam a preferir utilizar o carro, ao invés de andarem de transportes públicos, apesar dos congestionamentos causados pelo trânsito aumentarem cada vez mais os tempos de viagem, de acordo com um relatório do Tribunal de Contas Europeu (TCE), citado pelo ‘The Guardian’.

Seis anos depois de Bruxelas ter anunciado uma mudança radical no panorama dos transportes urbanos, fornecendo mais de 16,3 biliões de euros em financiamento, o TCE revelou que não existe nenhuma tendência significativa para a utilização de transportes públicos ou bicicletas.

«Convencer os cidadãos a substituírem o conforto dos seus carros por outros meios de transporte, é normalmente um desafio», refere o TCE no seu relatório ‘Mobilidade Urbana Sustentável na UE’, acrescentando também que «embora as cidades tenham implementado uma série de iniciativas para aumentar a qualidade e a quantidade dos transporte públicos, não existiu uma redução significativa da utilização de carros particulares».

A influenciar a escolha dos europeus estará o facto de, segundo os auditores, ser mais rápido viajar de carro até aos centros das cidades, apesar dos crescentes congestionamentos de trânsito, facto que resulta num aumento das emissões de gases de efeito estufa.

«Também não encontrámos evidências de uma tendência para meios de transporte mais sustentáveis. Para além disso, as emissões de gases de efeito estufa continuaram a aumentar e o congestionamento de trânsito tem piorado, na maioria das cidades analisadas», revela um auditor sénior do TCE citado pelo ‘The Guardian’.

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Através do Fundo Europeu Estrutural e de Investimento, a UE forneceu 16,3 biliões de euros entre 2014 e 2020, com o objectivo de alterar os meios de deslocação nas cidades, com as maiores regiões a receberem ainda um contributo adicional de 200 milhões de euros.

A análise dos auditores constatou que o dinheiro foi utilizado pelas cidades, contudo existiu uma «aceitação limitada» das orientações sobre como gastá-lo. E o montante foi desperdiçado em projectos «infelizes» e com pouca coerência.

Revelou ainda que os congestionamentos de trânsito custam à UE cerca de 270 biliões de euros por ano e que os fundos fornecidos por Bruxelas devem incidir de forma mais forte em planos que convençam a população a deixar de utilizar o carro.

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«O congestionamento também tem um impacto negativo no crescimento económico», afirmou um dos auditores, acrescentando que «para além disso, 96% dos cidadãos da UE que vivem em áreas urbanas, estão expostos a poluentes prejudiciais à saúde, estimando-se que  o custo ambiental do transporte seja de várias centenas de biliões de euros por ano», termina citado pelo ‘The Guardian’.

 

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