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Carlos Ribas (Bosch): «Acredito mesmo que a nova normalidade será melhor do que a época do pré-pandemia»

A submissão, discussão e aprovação do Orçamento do Estado (OE) é um dos momentos mais importantes do ano. Em tempo de pandemia, assume um papel ainda mais crucial no rumo da vida dos portugueses, uma vez que determina quais os gastos considerados para efeito de IRS, qual o valor mínimo do subsídio de desemprego ou a dimensão da carga fiscal para as empresas, por exemplo.

A Executive Digest quis saber qual a perspectiva dos líderes de companhias de áreas tão diferentes como Farmacêuticas, Telecomunicações ou Agroindústria relativamente ao Orçamento do Estado 2021. É um dos mais difíceis de executar? Serve os interesses das empresas?

Carlos Ribas, responsável da Bosch em Portugal

Considera que o Orçamento do Estado serve os interesses das empresas?

Em 2020, a actividade económica em Portugal fica marcada pelos efeitos adversos da pandemia COVID-19 tanto na procura como na oferta, reflectindo-se na contracção do PIB que no fim do ano deve ficar pelos -8,5%. No entanto, as políticas de mitigação adoptadas pelo Governo conseguiram, de forma positiva, atingir parte dos seus objectivos, nomeadamente com as empresas, assegurando a sua sustentabilidade financeira, contribuindo para a preservação do emprego e evitando, desta forma, o encerramento de empresas viáveis.

Positivo dentro do OE21 é a recuperação prevista com gradual melhoria do mercado de trabalho, levando a um ligeiro aumento no rendimento disponível das famílias e a uma redução da taxa de poupança. Antecipa-se ainda um crescimento do consumo público de 2,4% em 2021 (-0,3% em 2020). Não conhecendo o documento no detalhe, até porque este se encontra em fase de ajustes para aprovação na Assembleia da República, diria que este OE21, tem tudo para ser um bom orçamento, não esquecendo que, para isso, tanto os trabalhadores como as empresas têm que sair beneficiados por politicas e programas que os favoreçam e ao mesmo tempo os comprometam. Simplificar a máquina fiscal, torná-la mais célere nas decisões, reduzir a carga fiscal sobre empregados e empregadores e, desta forma, incentivar o consumo.

Devido à pandemia de COVID-19, considera que este Orçamento do Estado é o mais difícil de executar?

Tendo em conta os auxílios que vão chegar da CE para combater a crise provocada pela pandemia, este pode ser o Orçamento do Estado da oportunidade. O fluxo de capital proveniente da CE, valores nunca antes corridos no País, se correctamente gerido e devidamente canalizado para as áreas em que o seu retorno seja mais rápido e efectivo – educação, inovação, digitalização, ferramentas IT, exploração e aproveitamento das riquezas do mar, modernização da ferrovia, orientação para as tecnologias verdes (hidrogénio) -, pode fazer com que este seja o OE que nos vai permitir dar o passo na recuperação do atraso em que Portugal se encontra.

Quais são os riscos/desafios que antecipa para o próximo ano?

A situação da pandemia ainda é uma dúvida para todos. Não conseguimos ter uma visão credível nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo. Sabemos que a pandemia um dia irá terminar, mas o facto de não sabermos onde fica esse dia deixa-nos com muitas dúvidas. Quando a pandemia terminar, sabemos que irá haver um regresso à normalidade e acredito mesmo que essa nova normalidade será melhor do que a época do pré-pandemia. Para isso, é importante que o ser humano tenha entendido o que aconteceu e que apostemos numa sociedade mais equitativa e mais verde através de em energias renováveis e combustíveis verdes. Só temos este planeta e temos de o respeitar e preservar.

Quais considera serem as medidas essenciais para famílias e empresas?

Acima de tudo, medidas focadas na educação, na formação e ensino assim como nos bons hábitos. Uma sociedade de conhecimento está sempre melhor preparada para enfrentar as dificuldades do futuro. Além disso, acredito que devemos orientar cada vez mais as indústrias para a protecção do ambiente através do incentivo ao uso de energias e combustíveis verdes.

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