Carga fiscal portuguesa ficou 1,3 pontos percentuais acima da OCDE em 2020

A carga fiscal em Portugal situou-se 1,3 pontos percentuais acima da média do conjunto dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em 2020, de acordo com uma compilação hoje divulgada.

Executive Digest com Lusa

A carga fiscal em Portugal situou-se 1,3 pontos percentuais acima da média do conjunto dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em 2020, de acordo com uma compilação hoje divulgada.

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Segundo um relatório estatístico sobre receitas fiscais hoje divulgado pela OCDE, a carga fiscal em Portugal, que foi de 34,8% em 2020, ficou acima da média do conjunto dos países da organização, que foi de 33,5%.

De acordo com a OCDE, a média de 33,5% do peso das receitas fiscais sobre o Produto Interno Bruto (PIB) representou uma subida de 0,1 pontos percentuais face a 2019, sendo que em Portugal o aumento foi de 0,3 pontos.

As variações na carga fiscal são causadas pelas mudanças relativas nas receitas fiscais e contribuições sociais e no PIB nominal. De um ano para o outro, se as receitas crescerem mais do que o PIB (ou caírem menos que o PIB), a carga fiscal aumenta.

Por outro lado, se as receitas crescerem menos do que o PIB, ou caírem mais, a carga fiscal diminui, explica a OCDE.

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“Assim, a carga fiscal não significa necessariamente que a quantidade de receitas fiscais tenha crescido em termos nominais, ou mesmo reais”, assinala a organização liderada por Mathias Cormann.

Em 2020, “o pequeno aumento da média da carga fiscal na OCDE ocorreu face à pandemia de covid-19, que levou a perdas alargadas tanto nas receitas fiscais nominais como no PIB nominal”, tendo a razão das perdas sido atribuída ao facto de “na maioria dos países o PIB ter caído mais do que as receitas fiscais nominais”.

O relatório assinala que a Dinamarca registou a maior carga fiscal em 2020 (46,5%), “e com as exceções de 2017 e 2018, em que a da França foi maior, tem tido a maior carga fiscal dos países da OCDE desde 2002”.

“A França teve a segunda maior carga fiscal em 2020 (45,4%). O México teve a menor carga fiscal (17,9%)”, refere a compilação da OCDE hoje divulgada, que assinala que “o rácio de receitas fiscais face ao PIB, comparado com 2019, cresceu em 20 [países] e decresceu em 16”.

Entre 2019 e 2020, o maior aumento da carga fiscal verificou-se em Espanha (1,9 pontos percentuais), “largamente devido a um aumento nas receitas das contribuições para a Segurança Social face ao PIB (1,5 pontos percentuais)”, depois de uma queda maior das receitas que no produto.

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“O segundo maior aumento foi no México (1,6 pontos percentuais), com aumentos em todos os principais tipos de impostos em termos nominais e como percentagem do PIB”, tendo a Islândia sido o país restante com um aumento superior a 1 ponto percentual”, refere o texto.

Já a maior queda na carga fiscal entre 2019 e 2020 nos países da OCDE foi registada na Irlanda, com 1,7 pontos percentuais.

“O decréscimo na Irlanda foi em grande parte devido à queda das receitas de IVA, depois da redução temporária nas taxas em 2020 e ao impacto da pandemia de covid-19 na redução da atividade económica”, com menores de contribuições do IRS, contribuições da segurança social, impostos sobre a propriedade e sobre consumos específicos, segundo a OCDE.

Também foram observadas descidas acima de 1 ponto percentual no Chile (1,6 pontos percentuais) e na Noruega (1,3).

Quanto à última década, a média da carga fiscal na OCDE “foi maior em 2020 do que em 2010, quando era de 31,6%”, e cresceu também em 30 países.

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O maior aumento verificou-se na Eslováquia (6,7 pontos percentuais) e na Grécia (6,5), e verificaram-se também subidas acima de 5 pontos na Coreia do Sul, Espanha e Japão (dados de 2019) e no México.

Quanto às descidas desde 2010, verificaram-se nos restantes oito países que compõem a organização, com a maior a verificar-se na Irlanda (7,5 pontos percentuais), “largamente devido ao aumento excecional do PIB em 2015”.

“A segunda maior descida deu-se na Noruega (3,2 pontos percentuais), largamente devido à queda de receitas do IRC”, nota a OCDE.

Em Portugal, a carga fiscal era de 30,4% em 2010, passando para 34,8% em 2020.

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