O secretário de estado da saúde, António Sales, refere, na conferência de imprensa diária da Direcção Geral da Saúde (DGS), desta terça-feira, que a taxa de letalidade global da doença é de 3,3% e acima dos 70 anos é de 11,4%.
Portugal realizou desde 1 de Março mais de 190 mil testes, do total 52% nos públicos 45% nos privados, 3% em outros estabelecimentos. O país conta com uma média de 10 mil testes e uma taxa de 18 mil testes por milhão de habitantes, superando novamente países como Alemanha e Áustria, refere o responsável. O aumento de testagem, contudo, não foi proporcional ao aumento de testes positivos, «um bom indicador», segundo António Sales.
«É preciso que as pessoas tenham confiança num Serviço Nacional de Saúde (SNS) que soube retirar dos hospitais e centros de saúde o que não era urgente, mas que também soube adaptar a sua resposta com a criação de circuitos bem distintos», afirma o responsável, que refere ainda que em caso de ida à urgência a DGS prevê a utilização de máscara para todas as pessoas dentro dos estabelecimentos de saúde.
António Sales refere que o Infarmed publicou hoje as indicações técnicas para a produção de máscaras comunitárias pela indústria nacional, utilizadas em espaços interiores com muitas pessoas. «Mais de 200 empresas já mostraram vontade de avançar com a produção», indica.
Ainda relativamente às mesmas máscaras e a quando poderão ser utilizadas pela população, o responsável indica que «ainda não é a altura exacta para nos pronunciarmos sobre o assunto», tendo de aguardar pelas decisões do Presidente da República no prolongamento ou não do Estado de Emergência, uma vez que só depois de ultrapassado o confinamento será possível utilizar as máscaras sociais, tal como já tinha sido anunciado pela ministra da saúde, Marta Temido, na segunda-feira.
O secretário de estado da saúde admite que possam ser necessários alguns ajustes nos números de doentes em cuidados intensivos, «que têm oscilado». Até ao dia de ontem a taxa de ocupação era de 61%, sendo que estavam libertos cerca de 31%. «É uma vitória sempre que conseguimos retirar um doente dos cuidados intensivos», refere o responsável.
Na conferência estava também a directora geral da saúde, Graça Freitas, que fez questão de sair do assunto ‘Covid-19’, para relembrar a importância da vacinação, no combate a muitas doenças infecciosas. A responsável divide os principais grupos de vacinação: crianças nos primeiros 12 meses de vida; grávidas nas 28 a 32 semanas de gestação e doentes crónicos. «Não adie de forma alguma a vacinação. Se o fizer, podemos ter outro tipo de surtos», apela.
Graça Freitas refere que a principal fonte de informação do número de casos da pandemia em Portugal é uma declaração médica colocada na plataforma SINAVE pelos profissionais de saúde, apelando a que os médicos o façam o mais rápido possível, para que os dados sejam também recolhidos rapidamente. Já os óbitos vêm de outra fonte, indica, uma plataforma electrónica em que se sabe «ao segundo», reportada pelo clínico que certifica a morte.
A responsável indica que a diferença dos números nas regiões de Portugal, muitas vezes tem que ver com algumas pessoas que andam em trânsito, a circular pelo país, referindo ainda que vai constar deste boletim uma nota metodológica que explica que as situações podem não ser exactamente iguais. «Não vale a pena criar disfunções regionais e locais».
A directora geral da saúde refere que foi na região Norte do país que existiu uma grande concentração de casos importados da zona da Lombardia em Itália, que se traduziu em várias cadeias e focos de transmissão comunitários, um facto que, segundo a responsável, pode explicar a evolução da epidemia na região.
No que diz respeito às mortes e infecções em lares de idosos, a responsável indica que antes de acontecer um caso de Covid-19, «deviam ser criadas em lares condições para que a concentração de pessoas não fosse tão elevada. As visitas aos lares deviam continuar a ser proibidas, algo que não tem acontecido sempre», segundo Graça Freitas.
Relativamente ao cerco sanitário que se mantém em Ovar, Graça Freitas refere que enquanto o risco numa determinada comunidade for considerado elevado, as autoridades locais mantêm a medida, quando entenderem que já não será necessário, levantam a restrição.
O director do Infarmed, Rui Ivo, esteve também presente na conferência, abordando a questão das máscaras «sociais», que foram alinhadas de acordo com recomendações da União Europeia, em conjunto com a ASAE, DGS e outros especialistas médicos.
As normas técnicas publicadas hoje são dirigidas às empresas que pretendem produzir as máscaras, algumas delas reutilizáveis, mencionando os diversos tecidos que podem ser utilizados, entre outras indicações. Assim que o produto estiver disponível, todas as normas de uso serão divulgadas aos utilizadores. «Em breve poderemos aceder a este equipamento nos locais de compra», refere Rui Ivo.
Portugal regista actualmente 17.448 casos confirmados de infecção por Covid-19 e cerca de 567 vítimas mortais, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado há instantes pela DGS.













