Caos volta a ameaçar os EUA: Republicanos avançam com moção de censura ao líder do Congresso, após negociações que impediram o ‘shutdown’

Esta moção é a terceira a ocorrer no país: a primeira, em 1910, acabou rejeitada e a segunda, em 2015, nunca foi votada.

Executive Digest com Lusa
Outubro 3, 2023
19:05

Um dos principais líderes da ala radical do Partido Republicano dos EUA, Matt Gaetz, anunciou ontem que vai apresentar uma moção de censura contra o líder da maioria Republicana na Câmara de Representantes, Kevin McCarthy, após este ter fechado portas às exigências desta ala e optar por negociar com os democratas uma extensão orçamental de 45 dias, para evitar um ‘shutdown’ de todos os serviços e organismos federais. A condição foi a retirada dos fundos atribuídos á ajuda à Ucrânia, e o preço a pagar é agora o de uma moção de censura que poderá paralisar o país e desencadear um verdadeiro caos.

Esta moção é a terceira a ocorrer no país: a primeira, em 1910, acabou rejeitada e a segunda, em 2015, nunca foi votada. A nova crise surge numa altura em que Joe Biden, o Senado e McCarthy têm 45 dias para tentar avançar com os orçamentos para o país, que os partidos já tinham negociado em maio. No entanto, até agora o texto acordado não foi levado a votação, já que os radicais republicanos exigiam cortes muito maiores e ameaçaram expulsar McCarthy se levasse o acordo a discussão em sessão plenária.

O acordo poderá revelar-se duplamente fatal: motivou a nova moção de censura, e é muito curto para evitar que, em novembro, haja nova crise.

Gaetz acusa McCarthy de atuar de forma dissimulada a favor dos interesses dos Democratas, ao ter desenhado um acordo bipartidário que, nas últimas horas, permitiu evitar a paralisação do Governo do Presidente Joe Biden, frustrando as promessas que tinha feito ao seu próprio partido, de intensificar a vigilância à ação da Casa Branca.

“McCarthy fez um acordo com os conservadores americanos em janeiro, quando assumiu o cargo. Desde então, tem violado esse acordo de forma flagrante e visível”, disse Gaetz em comentários à cadeia televisiva CNN.

Para o congressista que representa a ala mais radical do partido, próxima do ex-Presidente Donald Trump, a gota de água foi o comportamento de McCarthy durante as negociações para evitar a paralisação do Governo Democrata.

Gaetz disse estar convencido de que o líder da maioria Republicana na Câmara agiu em conluio com os Democratas para aprovar a prorrogação de financiamento do Governo por 45 dias, conseguida nas últimas horas.

“Estou convencido de que ele tinha um acordo secreto com os Democratas para discutir rubricas orçamentais relativas à entrega de ajuda à Ucrânia. Todos têm a sua opinião sobre a participação dos Estados Unidos na guerra na Ucrânia, mas, independentemente do que as pessoas pensem, estas conversas deveriam ter sido públicas”, defendeu o congressista.

Por todas estas razões, Gaetz anunciou que apresentará uma moção de censura na próxima semana, alegando que “é necessária uma liderança nova e fiável”, explicando que “ninguém confia em McCarthy, um homem que mente a toda a gente”.

A moção de censura só será aprovada com um total de 280 votos a favor na Câmara dos Representantes, onde os republicanos têm 221 cadeiras, pelo que serão necessários não só os votos de toda a bancada, mas também 59 votos adicionais dos representantes Democratas, o que torna a tarefa particularmente difícil.

*Com Lusa

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