A falta de médicos na especialidade de Medicina Interna está a provocar sérias repercussões no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Internos e alunos do 6.º ano de Medicina relatam condições de trabalho extremamente exigentes, com relatos de excessivas horas de trabalho que estão a comprometer a formação de futuros especialistas.
De acordo com queixas recebidas pelo Diário de Notícias (DN), internos da especialidade de Medicina Interna enfrentam um elevado número de horas de trabalho tanto nas enfermarias como nas Urgências. Por sua vez, os alunos do 6.º ano, que estão a realizar estágios na instituição, enfrentam longas jornadas de trabalho, muitas vezes sem tempo para refeições adequadas. “São escravizados”, afirma um funcionário da instituição, referindo-se à situação dos internos e estagiários.
Gustavo Jesus, delegado da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), confirma que a realidade de excessivas horas de trabalho não é exclusiva ao Hospital de Santa Maria, mas sim uma prática comum no Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Esta realidade é sistémica no SNS. Existe em muitos outros serviços e em muitos outros hospitais e tem de ser resolvida”, afirma Gustavo Jesus. Segundo o delegado, a situação reflete uma cultura de trabalho excessivo que afeta vários hospitais e serviços do SNS.
Para as fontes do DN, a situação no Hospital de Santa Maria é considerada “grave” e está a pôr em risco a formação adequada dos futuros especialistas e médicos. As queixas apontam que os alunos do 6.º ano estão a ser submetidos a condições de trabalho tão severas que comprometem a sua experiência formativa. “Nunca imaginámos que a falta de médicos tivesse tantas repercussões nos internos e nos alunos, porque isto não é formação”, destacam.
Por outro lado, o conselho de administração da Unidade Local de Saúde de Santa Maria (ULSSM) refuta as alegações. Em resposta ao DN, a ULSSM declara que “não tem queixas nem exposições de internos ou de alunos do 6.º Ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL)”. O conselho de administração acrescenta que há reuniões semanais com a direção da FMUL e que “nunca foi reportada nenhuma situação como a que é referida”.














