O novo sistema digital de controlo fronteiriço da União Europeia já está a provocar cenas de caos nos aeroportos, com companhias aéreas a deixarem passageiros em terra para conseguirem cumprir horários de partida.
Um dos casos mais mediáticos aconteceu no aeroporto de Milão Linate, em Itália, onde um voo da easyJet para Manchester partiu sem a maioria dos passageiros a bordo, depois de longas filas no controlo de passaportes.
Segundo o ‘The Independent’, dos 156 passageiros com reserva no voo, apenas 34 conseguiram embarcar. Os restantes 122 ficaram retidos no terminal.
Avião partiu… e deixou mais de 100 pessoas para trás
Entre os passageiros afetados estava Max Hume, de 56 anos, que viajava com a mulher e o filho.
A família chegou ao aeroporto quase três horas antes da partida, seguindo as recomendações da própria easyJet para antecipar atrasos.
Mesmo assim, acabaram por perder o voo.
“Estou arrasado, chateado, desiludido, absolutamente destruído e muito mais pobre”, disse ao ‘The Independent’.
Filas, calor e passageiros a vomitar
O relato aponta para uma manhã marcada por desorganização, filas lentas e critérios confusos no controlo de passaportes.
Segundo os passageiros, alguns viajantes de outros voos para Londres eram deixados passar à frente, enquanto os passageiros do voo para Manchester aguardavam sem explicações.
A mulher de Max Hume quase desmaiou devido ao calor. Outro passageiro vomitou num saco enquanto esperava.
Biometria repetida atrasou tudo
Quando finalmente começaram a processar os passageiros de Manchester, as autoridades exigiam recolha total de dados biométricos — reconhecimento facial, leitura do passaporte e impressões digitais — mesmo de pessoas já registadas na entrada em Itália dias antes.
Segundo as regras do novo sistema europeu de Entrada e Saída (EES), bastaria normalmente uma verificação parcial após o primeiro registo completo.
O passageiro criticou ainda o facto de existirem várias máquinas automáticas disponíveis que permaneceram fechadas.
“Havia 16 máquinas e não abriram nenhuma. Tudo avançava a passo de tartaruga”, afirmou.
EasyJet cobra novas viagens
Quando a família conseguiu chegar ao portão, o avião já tinha partido. A bagagem teve de ser descarregada antes da saída.
No balcão da companhia, os passageiros foram registados como “não compareceram”.
A easyJet propôs transferências para novos voos, mas a família acabou por gastar mais de 1.600 libras, cerca de 1.870 euros, em voos alternativos via Luxemburgo, hotel e nova ligação para Manchester.
Além disso, recebeu apenas 19,91 libras (cerca de 23 euros) de reembolso da viagem original.
Companhias aéreas pedem travão ao sistema
A easyJet afirmou estar a fazer tudo para minimizar impacto das filas, incluindo atrasar voos e oferecer mudanças gratuitas quando possível.
Ainda assim, sublinhou que o controlo fronteiriço está fora do seu controlo.
Na sexta-feira, primeiro dia de implementação total do sistema EES, a associação Airlines for Europe pediu que as autoridades possam suspender temporariamente o sistema sempre que os tempos de espera se tornem excessivos.
Novo verão de caos?
O caso reacende receios de um verão marcado por filas, atrasos e passageiros deixados em terra em vários aeroportos europeus.
Se a implementação continuar com falhas operacionais, companhias aéreas e viajantes poderão enfrentar semanas de forte perturbação precisamente no arranque da época alta.













