Canibalismo tecnológico: Cientistas criam robô capaz de se alimentar de outros para se curar e evoluir

Investigadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, desenvolveram um robô inovador que promete transformar a forma como entendemos a autonomia das máquinas. Chamado Truss Link, este robô tem a capacidade de se curar e crescer ao incorporar partes de outros robôs que estejam danificadas ou desativadas, num processo que os cientistas descrevem como “metabolismo robótico”.

Pedro Zagacho Gonçalves

Investigadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, desenvolveram um robô inovador que promete transformar a forma como entendemos a autonomia das máquinas. Chamado Truss Link, este robô tem a capacidade de se curar e crescer ao incorporar partes de outros robôs que estejam danificadas ou desativadas, num processo que os cientistas descrevem como “metabolismo robótico”.

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Feito com estruturas modulares compostas por varas magnéticas, o Truss Link é capaz de se adaptar ao ambiente físico, passando de uma forma plana para uma estrutura tridimensional. Mas o seu verdadeiro avanço está na forma como detecta, se aproxima e se funde com componentes soltos de outros robôs próximos, absorvendo-os para colmatar falhas ou melhorar o seu desempenho. Em situações em que uma parte se torna disfuncional ou obsoleta, o robô consegue descartá-la e substituí-la, como se tivesse um sistema de regeneração inspirado em organismos vivos.

Num vídeo divulgado pela equipa da Columbia Engineering, o Truss Link é mostrado a incorporar um novo segmento e a utilizá-lo como apoio para caminhar, conseguindo assim aumentar a sua velocidade em mais de 50%. Segundo os investigadores, esta capacidade de transformação e adaptação não é apenas uma curiosidade tecnológica, mas uma das chaves para que a inteligência artificial ganhe um novo tipo de presença no mundo real.

“O verdadeiro significado de autonomia é que os robôs não só devem pensar por si, mas também sustentar-se fisicamente”, explicou Philippe Martin Wyder, investigador principal do projeto, com ligações também à Universidade de Washington. Para Wyder, este tipo de robótica representa uma nova geração de máquinas capazes de combinar processamento cognitivo e adaptação física, numa interface mais direta entre o mundo digital e o físico. “O metabolismo robótico oferece uma ponte entre a inteligência artificial e o mundo material, permitindo que a IA não apenas evolua mentalmente, mas também fisicamente”, acrescentou.

As implicações desta tecnologia são vastas. O Truss Link poderá ser utilizado em contextos extremos e imprevisíveis, como operações de salvamento em zonas de catástrofe, investigação marinha em grandes profundidades ou até missões espaciais. Graças à sua estrutura flexível e regenerativa, poderá construir ou reconstruir-se em resposta a alterações ambientais ou a danos imprevistos, sem necessidade de intervenção humana.

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“Esta inovação abre caminho para um futuro onde a inteligência artificial não só escreve textos ou gera imagens, como também constrói robôs ou estruturas com as suas próprias ‘mãos’”, afirmou Wyder, sublinhando o potencial transformador desta abordagem.

A evolução da inteligência artificial tem permitido tornar a robótica mais acessível e programável. Segundo Rev Lebaredian, vice-presidente da Nvidia para tecnologias de simulação, “agora temos a tecnologia para tornar os robôs programáveis de forma geral, ao ponto de pessoas comuns — e não apenas engenheiros especializados — poderem trabalhar com eles”. A fusão entre IA e sistemas físicos adaptativos, como o Truss Link, poderá assim inaugurar uma era em que os robôs se tornam parceiros autónomos em tarefas complexas, adaptando-se e transformando-se com uma agilidade que até agora só existia no reino biológico.

O Truss Link representa, assim, muito mais do que um robô sofisticado. É um passo em direção a um novo paradigma, onde máquinas não só raciocinam, mas sobrevivem, evoluem e se reinventam em tempo real. O que hoje parece uma forma primitiva de “canibalismo” robótico poderá, no futuro, ser a base de ecossistemas de máquinas verdadeiramente independentes.

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