Candidato a bombeiro ateia dois incêndios e causa prejuízos de mais de 600 mil euros

De acordo com o ‘Jornal de Notícias’, o arguido, identificado como Emanuel C., vive em Verim e sempre manifestou fascínio pelo fogo

Revista de Imprensa

O Tribunal de Braga está a julgar um homem de 29 anos por ter ateado dois incêndios florestais no monte de São Mamede, em Frades, Póvoa de Lanhoso. As chamas, que causaram estragos avaliados em 630 mil euros, obrigaram à evacuação de dezenas de casas, uma escola e um lar de idosos.

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De acordo com o ‘Jornal de Notícias’, o arguido, identificado como Emanuel C., vive em Verim e sempre manifestou fascínio pelo fogo. Apesar de ter tentado várias vezes integrar a corporação de bombeiros local, nunca foi aceite. A 16 de setembro de 2024, com o país com temperaturas a roçar os 40 graus, decidiu agir por conta própria.

Dois focos de incêndio em poucos minutos

Emanuel conduziu até ao monte de São Mamede, estacionou perto do parque de merendas e, com um simples isqueiro, ateou o primeiro foco de incêndio, relatou o jornal diário. Nesse momento, enviou uma mensagem de voz à namorada. Minutos depois, já a cerca de 300 metros do primeiro local, provocou o segundo foco e dirigiu-se a um posto de combustível onde trabalhava uma familiar, avisando os clientes do fogo que o próprio tinha iniciado.

O Ministério Público relatou que o suspeito enviou ainda uma fotografia à companheira, mostrando duas colunas de fumo, ao que esta respondeu suspeitando da sua autoria. Emanuel confirmou, recorrendo a emojis e admitindo ter agido rapidamente, com tempo suficiente para “chegar e fugir”.

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Tentou ajudar no combate às chamas

Após o crime, o homem participou nas operações de combate aos incêndios, como se nada tivesse acontecido. As chamas obrigaram à retirada urgente de residentes e à evacuação do Lar de Verim e do Centro Educativo de Monsul. Houve prejuízos significativos em propriedades agrícolas, industriais e públicas. Só o reservatório de água da União de Freguesias de Ajude, Friande e Verim sofreu danos avaliados em cerca de 190 mil euros, enquanto a empresa Navigator contabilizou perdas na ordem dos 400 mil euros.

Escolheu locais fora do alcance das torres de vigia

Segundo o ‘Jornal de Notícias’, Emanuel conhecia bem o terreno e escolheu os locais do incêndio em “zonas sombra” — áreas fora do campo de visão das torres de vigilância. Apesar dessa precaução, acabou detido pela GNR após ser identificado em imagens de videovigilância e confrontado com as mensagens trocadas com a namorada. Confessou o crime e permanece em prisão preventiva enquanto decorre o julgamento.

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