Uma análise do Laboratório de Investigação Forense Digital (DFRLab) do Conselho Atlântico revela que estão a aumentar as campanhas nas redes sociais na Polónia contra os refugiados ucranianos que procuram proteção nesse país.
Etiquetas como #TravaraUcranizaçãodaPolónia, têm estado a disseminar-se pelas redes sociais na Polónia, sendo que esse particular ‘hashtag’ já foi referenciado em cerca de 50 mil publicações no Twitter, adianta o relatório, citado pela ‘Euronews’.
Movimentos políticos de extrema-direita polacos tem usado o crescimento dessas campanhas para suportar os seus ataques às políticas de acolhimento de refugiados ucranianos e de apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia.
Contudo, o relatório denuncia essas campanhas nas redes sociais como “falsas”, que são promovidas por um número muito reduzido de contas no Twitter, que se comportam como ‘bots’, ou seja, contas automatizadas operadas sem intervenção direta de um utilizador humano.
“Um pequeno número de pessoas está a tentar fortalecer o movimento [anti-refugiados ucranianos] e a tentar fazer passá-lo como expressão de apoio nativo, e não é esse o caso”, alerta Givi Gigitashvili, investigador do DFRLab.
O especialista reitera que, apesar do aparente crescimento de adesão a esse movimento, a tendência crescente é artificial. “Este tipo de sentimentos anti-Ucrânia não está a ganhar terreno assim tão facilmente, porque a sociedade tem uma atitude diferente face aos ucranianos”, elucida.
A declaração de Gigitashvili encontra correspondência num estudo publicado em julho pelo Instituto Económico da Polónia que demonstrou que 77% dos cidadãos polacos apoiam os refugiados ucranianos desde o início da guerra.
Esse apoio só não é ecoado pelo partido de extrema-direita Confederação, que tem criticado a política do governo de abrir as fronteiras aos refugiados da Ucrânia, acusando-o de dar a essas pessoas melhores condições do que as que oferece à própria população polaca.





