Uma operação das autoridades de Hong Kong permitiu travar, a poucas horas do arranque oficial do Mundial de 2026, um vasto esquema internacional de contrafação que envolvia dezenas de milhares de camisolas falsas de seleções participantes na competição, incluindo equipamentos da Seleção Nacional portuguesa e versões com o nome de Cristiano Ronaldo.
Segundo a polícia local, foram apreendidas cerca de 30 mil camisolas contrafeitas, numa operação cujo valor global dos produtos confiscados ronda os 20 milhões de euros. O material destinava-se maioritariamente aos mercados internacionais e seria distribuído precisamente numa altura em que a procura por artigos relacionados com o Campeonato do Mundo atingia níveis máximos.
A apreensão ocorreu poucas horas antes do início oficial da competição, que arranca esta quinta-feira, aumentando a relevância de uma investigação que as autoridades já desenvolviam desde o mês de maio.
Equipamentos falsos eram difíceis de distinguir dos originais
De acordo com o inspetor-chefe da polícia de Hong Kong, Wayne Chung, o nível de sofisticação alcançado pelos falsificadores surpreendeu até os investigadores responsáveis pela operação.
Segundo o responsável policial, muitas das camisolas apreendidas apresentavam uma qualidade tão elevada que, em vários casos, era difícil distingui-las dos equipamentos oficiais comercializados pelas marcas autorizadas.
Entre os artigos encontrados estavam várias camisolas da Seleção portuguesa, incluindo modelos personalizados com o nome de Cristiano Ronaldo, um dos jogadores mais populares do futebol mundial e uma das figuras mais procuradas pelos adeptos.
As autoridades revelaram ainda que foram encontradas versões de elevada qualidade que reproduziam os equipamentos utilizados pelos próprios jogadores em competição. Estes modelos, normalmente mais caros do que as versões destinadas ao público em geral, distinguem-se por apresentarem materiais específicos, tecnologias avançadas de fabrico e detalhes de design exclusivos.
Maioria dos produtos destinava-se aos países organizadores do Mundial
A investigação permitiu concluir que o objetivo principal da organização criminosa era exportar os artigos contrafeitos para mercados estrangeiros.
Segundo a polícia de Hong Kong, aproximadamente 80% dos produtos apreendidos tinham como destino o continente americano, com destaque para os Estados Unidos, o México e o Canadá, os três países que acolhem conjuntamente o Mundial de 2026.
A proximidade do início da competição tornava estes mercados particularmente atrativos para os falsificadores, que procuravam aproveitar o aumento da procura por camisolas e outros artigos relacionados com as seleções participantes.
Operação apreendeu também calçado, relógios e material desportivo
Além das camisolas, a operação resultou igualmente na apreensão de vários outros produtos contrafeitos.
Entre os materiais confiscados encontravam-se artigos de calçado, relógios, colunas eletrónicas e sacos desportivos, demonstrando a dimensão da atividade desenvolvida pela rede investigada.
As autoridades explicaram que a investigação já decorria há várias semanas e que continua ativa, uma vez que ainda existem aspetos por esclarecer relativamente à origem dos produtos e aos circuitos de distribuição utilizados.
Investigação aponta para ligações à China continental
Wayne Chung revelou que os investigadores continuam a tentar determinar a proveniência exata das camisolas e dos restantes artigos apreendidos.
Parte significativa do material foi encontrada num posto fronteiriço entre Hong Kong e a China continental, um elemento que, segundo as autoridades, sugere que os produtos passaram ou poderiam vir a passar pelo território chinês antes de seguirem para os mercados internacionais.
A polícia não avançou, contudo, conclusões definitivas sobre a origem da produção, indicando que as diligências continuam em curso.
Cinco detidos e aviso para penas de prisão
A operação levou à detenção de pelo menos cinco pessoas suspeitas de envolvimento no esquema de contrafação.
Segundo a polícia de Hong Kong, os detidos foram posteriormente libertados sob fiança enquanto decorrem as investigações.
As autoridades aproveitaram o caso para recordar as consequências legais associadas a este tipo de crimes. Wayne Chung alertou que a importação e exportação de produtos contrafeitos pode ser punida com penas até cinco anos de prisão e multas que podem atingir aproximadamente 60 mil euros.



