Câmaras usam ‘apagões’ na iluminação pública para poupar milhares de euros

Alguns municípios portugueses continuam a desligar parcialmente a iluminação pública durante a madrugada para reduzir os custos com eletricidade, enquanto outros abandonaram essa prática e optaram por substituir os antigos equipamentos por luminárias LED, que permitem diminuir significativamente os consumos sem recorrer a apagões noturnos.

Revista de Imprensa

Alguns municípios portugueses continuam a desligar parcialmente a iluminação pública durante a madrugada para reduzir os custos com eletricidade, enquanto outros abandonaram essa prática e optaram por substituir os antigos equipamentos por luminárias LED, que permitem diminuir significativamente os consumos sem recorrer a apagões noturnos. No Alto Minho, Viana do Castelo e Arcos de Valdevez continuam a aplicar cortes em determinados períodos e zonas, numa estratégia que tem gerado debate entre autarquias e população.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Segundo o Jornal de Notícias (JN), Viana do Castelo interrompe a iluminação pública entre as 3 e as 5 horas da madrugada em algumas áreas onde a infraestrutura não permite reduzir a intensidade da luz, enquanto nas zonas equipadas com tecnologia LED a iluminação mantém-se ativa com diferentes níveis de intensidade. O presidente da Câmara, Luís Nobre, defende que a medida é aplicada de forma seletiva e afirma que permite uma poupança direta de cerca de 600 mil euros, num contrato plurianual de iluminação pública superior a 6,1 milhões de euros até 2028. Já Arcos de Valdevez mantém cortes noturnos sobretudo nas zonas rurais, embora tenha reduzido em 19% o consumo energético desde 2021 graças à substituição gradual das luminárias por tecnologia LED.

Nos restantes municípios do Alto Minho, como Monção, Melgaço, Vila Nova de Cerveira, Caminha, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Paredes de Coura, Valença e outros, os cortes totais ou parciais na iluminação pública foram sendo descontinuados à medida que avançou a modernização da rede. De acordo com a E-Redes, citada pelo JN, a tecnologia LED, alvo de um investimento superior a 160 milhões de euros desde 2017, permite uma redução do consumo de energia entre 65% e 70% face aos sistemas anteriormente instalados.

A manutenção dos apagões em Viana do Castelo continua, contudo, a gerar contestação. Uma petição pública, que já reúne centenas de assinaturas, alerta para os impactos da medida na segurança, mobilidade e qualidade de vida, defendendo a reposição da iluminação, pelo menos nas zonas urbanas e de maior circulação. Os subscritores pedem ainda uma avaliação pública dos efeitos da medida e sustentam que “a iluminação pública não é um luxo, é um serviço essencial e um pilar fundamental da segurança e qualidade de vida urbana”.

Também o presidente da Câmara de Monção e líder da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, António Barbosa, considera que a aposta deve passar pela modernização tecnológica e não pelo desligamento da iluminação. O autarca afirma que nunca defendeu esta política, argumentando que a substituição por iluminação LED permite alcançar poupanças significativas sem comprometer a segurança das populações, sobretudo nos concelhos com forte dispersão populacional e elevado número de idosos a viver sozinhos.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.