Câmara dos Representantes analisa destituição de Donald Trump

O líder da maioria democrata da Câmara dos Representantes, Steny Hoyer, pediu esta terça-feira aos membros do órgão de soberania para que regressassem a Washington na noite de segunda-feira para se analisar a resolução a aprovar e em que se pede ao vice-Presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, para invocar a autoridade constitucional e destituir Trump.

Aguarda-se que a resolução seja aprovada, mas acredita-se ser improvável que Pence aja nesse sentido e invoque a 25.ª emenda.

Hoyer adiantou também que a Câmara dos Representantes irá, depois, analisar a destituição (‘impeachment’), esta quarta-feira.

Os democratas da Câmara dos Representantes agiram rapidamente para redigir um artigo de ‘impeachment’, acusando Trump de incitamento à insurreição pelo apelo que fez a milhares de seus apoiantes que participavam numa manifestação, há uma semana, e que culminou com a invasão do Capitólio, protestando contra a alegada fraude eleitoral nas presidenciais de 03 de novembro, ganhas pelo democrata Joe Biden.

Ontem, os republicanos bloquearam a resolução que pede a Pence para invocar com urgência a 25.ª emenda para destituir Trump.

O bloqueio, que se resumiu à recusa em votar a resolução, foi imposto depois de os democratas terem entregado na Câmara dos Representantes uma ata de acusação contra Trump, primeiro passo para a abertura formal de um segundo procedimento de destituição contra o Presidente cessante dos Estados Unidos, que é acusado unicamente de “incitar a violência” no episódio que levou à invasão do Capitólio em Washington.

Trump termina o mandato quando Biden tomar posse, a 20 deste mês.

Pence ainda não deu qualquer indicação sobre se irá dar sequência às resoluções dos democratas, mas, se não avançar com o processo, a Câmara dos Representantes, segundo a presidente deste órgão, Nancy Pelosi, avançará para a destituição.

Pelosi reagiu ao bloqueio dos republicanos, acusando-os de “pôr os Estados Unidos em perigo” face à “cumplicidade” com Trump.

A líder democrata da Câmara dos Representantes lamentou que os republicanos se oponham à unanimidade da resolução para exigir a Pence que promova a demissão de Trump.

A nove dias do fim da Presidência de Trump, a Câmara dos Representantes está também a preparar esta semana a destituição do Presidente cessante.

Pelosi tem tentado primeiro pressionar os republicanos para que convençam Trump de que chegou a hora de deixar a Presidência norte-americana.

O projeto da Lei da Destituição, de quatro páginas, dá conta, entre outras razões, de declarações falsas feitas por Trump sobre o facto de ter derrotado Biden nas eleições, das pressões sobre as autoridades da Geórgia para que se encontrassem mais votos para dar a vitória ao Presidente cessante.

A invasão do Capitólio é outro dos argumentos, uma vez que consideram que Trump incitou os seus apoiantes a “lutarem como nunca” contra a alegada fraude eleitoral, o que levou os manifestantes a romperem os cordões policiais e a entrarem no Capitólio.

“O Presidente Trump colocou em risco a segurança dos Estados Unidos e das suas instituições governamentais”, refere-se no projeto de lei dos representantes democratas David Cicilline (Rhode Island), Ted Lieu (Califórnia), Jamie Raskin (Maryland) e Jerrold Nadler (Nova York).

“[Trump] ameaça a integridade do sistema democrático, interfere na transição pacífica de poder, e traiu a confiança. Continuará a constituir-se como uma ameaça à segurança nacional, à democracia e à Constituição se se mantiver [na Casa Branca]”, acrescenta-se no texto.

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