As instalações da Linha Municipal de Apoio a Refugiados (LIMAR), da Câmara Municipal de Setúbal, estão a ser alvo de buscas esta terça-feira, por parte da Polícia Judiciária (PJ).
Segundo revelou à agência Lusa fonte da Câmara Municipal, as operações de busca estão a ser efetuadas no âmbito de um mandato judicial emitido pela Procuradoria da República da Comarca de Setúbal.
A Câmara Municipal de Setúbal está a prestar todo o apoio necessário a estas diligências judiciais, que surgem na sequência da polémica em torno da receção do município sadino a refugiados ucranianos por dois cidadãos russos, alegadamente, com ligações ao Kremlin.
Tratam-se de Igor Khashin, membro da Associação dos Emigrantes de Leste (Edinstvo) e antigo presidente da Casa da Rússia e do Conselho de Coordenação dos Compatriotas Russos, e da mulher, Yulia Khashina, funcionária do município, que terão ligações ao Kremlin.
PJ apreende documentos e faz “pesquisas informáticas”
A PJ e o Ministério Público (MP) já emitiram esta tarde comunicados individuais a confirmar as buscas e a adiantar que foram apreendidos documentos e feitas pesquisas informáticas.
Assim, foi “levada a efeito uma operação policial envolvendo a realização de buscas nas instalações da Linha Municipal de Apoio a Refugiados da Câmara Municipal de Setúbal, na Câmara Municipal de Setúbal e nas instalações da Associação dos Emigrantes de Leste (Edinstvo)”.
“Investigam-se a prática de crimes de utilização de dados de forma incompatível com a finalidade da recolha, acesso indevido e desvio de dados, previstos na Lei de Proteção de Dados Pessoais”, informam.
Segundo a mesma nota, “no decurso das buscas foi apreendida para análise diversa documentação e foram efetuadas pesquisas informáticas sobre dados relacionados com os crimes em investigação”, revelam adiantando que “o inquérito encontra-se em segredo de justiça”.
A polémica sobre o envolvimento de dois cidadãos russos pró-Putin na receção a refugiados ucranianos na câmara de Setúbal, foi denunciada pelo jornal Expresso, que avançou que os refugiados terão sido questionados sobre os familiares que ficaram na Ucrânia quando foram recebidos na Câmara de Setúbal.
Segundo o jornal, para além do inquérito, os dois russos fotocopiaram documentos dos refugiados da guerra iniciada em 24 de fevereiro com a invasão militar russa da Ucrânia e pelo menos 160 refugiados ucranianos já teriam sido recebidos por estes elementos.
Isto acontece no mesmo dia em que a Assembleia Municipal de Setúbal aprecia duas moções de censura ao executivo camarário liderado pela CDU, devido à mesma polémica.
A moção de censura do PSD pede a demissão do presidente da Câmara de Setúbal, André Martins, alegando que o autarca sabia das ligações dos elementos da Associação dos Imigrantes de Leste (Edinstvo) ao governo russo e nunca o assumiu.
O PS, que também promete avançar com uma moção de censura ao executivo camarário, considera que neste momento cabe ao presidente do município decidir se tem ou não condições para continuar em funções, mas adianta que há outras razões que justificam a censura da liderança do executivo camarário, além da polémica sobre a receção aos refugiados ucranianos.
A ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares garantiu também hoje que será investigado “até às últimas consequências” o processo de acolhimento de refugiados ucranianos em Setúbal, se houver confirmação de tratamento “negligente e intolerável” por parte do município.
“Uma andorinha não faz a primavera e se vier a público, e se vier a ser confirmado, aquilo que foi o tratamento, que eu diria, negligente e intolerável por parte de um município, vai ser investigado até às últimas consequências”, disse Ana Catarina Mendes, durante uma audição no parlamento no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado.
*Notícia atualizada às 15h10 com comunicados da PJ e MP














