Calor primaveril aquece Portugal mas Europa de Leste treme de frio. Sabe porquê?

As temperaturas sentidas na Europa durante o atual Inverno têm sido incertas e, em alguns casos, extremas. Olhando para o mês de fevereiro, por exemplo, verifica-se que Espanha, Portugal e algumas zonas de França têm sido brindados com sol e temperaturas mais elevadas, ao passo que o Leste da Europa permanece rodeado de neve – chegando mesmo à Grécia, por exemplo.

Segundo a Euronews, a explicação reside nas correntes de ventos (jet streams) e no vórtex polar. As primeiras têm apresentado comportamentos imprevisíveis ao longo das últimas semanas, após um aquecimento súbito da estratosfera, que culminou no enfraquecimento do vórtex polar. Como consequência, também as próprias correntes de ventos foram perturbadas, quebrando o padrão habitual do Inverno na Europa.

A mesma publicação indica que é comum presenciar extremos em todo o hemisfério quando as correntes de ventos são perturbadas. O frio sentido recentemente na América da Norte também poderá ser explicado desta forma.

Tradicionalmente, a falta de energia solar no Inverno faz com que o Ártico arrefeça, criando um vórtex polar estável e correntes de vento também elas estáveis e fortes. Quando isto acontece, os padrões meteorológicos propagam-se pelo hemisfério de Oeste para Este, restringindo o ar frio às regiões polares. No Inverno passado, foi este o cenário verificado, por exemplo, gerando o Inverno mais quente de que há memória.

Quanto à potencial ligação entre o comportamento das correntes de ventos e as alterações climáticas, a Euronews considera que não existe uma resposta objetiva e fácil. Ao longo das últimas três décadas, o Ártico aqueceu três a quatro vezes mais rapidamente do que o resto do Mundo e alguns cientistas consideram que isso terá um impacto nas correntes de ventos.

No entanto, há também investigadores que afirmam não existir uma tendência clara ou óbvia no comportamento das correntes de ventos. Importa esclarecer que meteorologia e clima não é a mesma coisa e que haverá sempre variações naturais no estado do tempo. Ainda assim, também não é possível negar o impacto que a ação humana tem neste padrão.

Segundo a Euronews, não é possível culpar o frio na América do Norte, por exemplo, e os contrastes que se sentem na Europa exclusivamente com as alterações climáticas. Mas é certo que este tipo de frio extremo está a diminuir.

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