Grandes áreas do Atlântico e do Mediterrâneo estão até 5°C acima do habitual, num cenário que aumenta a preocupação com a chegada de um possível ‘Super El Niño’ este verão, escreve o ‘Daily Mail’. As imagens de satélite citadas pelo jornal mostram uma vaga de calor marinha junto às costas norte e oeste de França, no sul de Espanha e na zona do mar ao largo do Mónaco, com uma das manchas de calor a surgir nas imediações de Portugal.
🌡️ W Europe, parts of the Atlantic & Mediterranean saw unusually warm conditions in late May.
🛰️ Based on @CMEMS_EU data, sea surface temps exceeded seasonal avg by 5°C+ in some areas. These data help monitor marine heatwaves.
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— Copernicus EU (@CopernicusEU) June 3, 2026
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Os dados, baseados em temperaturas da superfície do mar registadas a 30 de maio pelo Copernicus Marine Service, mostram áreas com anomalias significativas no Atlântico e no Mediterrâneo. Também as águas junto a Dover, Eastbourne e Brighton, no Reino Unido, surgem mais quentes do que o normal, com zonas assinaladas a vermelho escuro nas imagens de satélite.
A preocupação aumenta porque a Organização Meteorológica Mundial estima uma probabilidade de 80% de ocorrência de El Niño entre junho e agosto de 2026. Os sinais atuais apontam para um dos episódios mais fortes já registados, com temperaturas elevadas no Pacífico e impacto potencial no clima global.
Embora o aquecimento observado no Atlântico e no Mediterrâneo não seja usado para diagnosticar o El Niño, o fenómeno deverá favorecer calor extremo em grande parte do planeta. De acordo com o Daily Mail, há previsões que apontam para uma possível subida das temperaturas médias globais até 3°C este verão, num contexto em que os cientistas admitem que 2026 possa tornar-se o ano mais quente de sempre.
O El Niño faz parte de um ciclo natural conhecido como El Niño-Oscilação Sul e ocorre quando há aquecimento sustentado das águas do Pacífico tropical. Quando esse aquecimento ultrapassa os 2°C, o episódio é muitas vezes descrito como ‘Super El Niño’. Os seus efeitos variam, mas podem incluir mais chuva em partes da América do Sul, sul dos Estados Unidos, Corno de África e Ásia Central, e condições mais secas na América Central, norte da América do Sul, Caraíbas, Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia.
A secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial, Celeste Saulo, avisou que o mundo deve preparar-se para um El Niño potencialmente forte, capaz de agravar secas, chuvas intensas e vagas de calor em terra e no oceano. A responsável sublinhou ainda a importância das previsões sazonais e dos avisos antecipados para proteger populações, economias e setores sensíveis ao clima.
O impacto também pode chegar aos preços dos alimentos. Especialistas citados no artigo alertam que calor extremo e seca podem afetar colheitas, agravar a insegurança alimentar e pressionar produtos importados, como bananas, arroz, chá, café e fruta fresca.
Para Portugal, a atenção recai sobretudo sobre a proximidade da anomalia térmica no Atlântico e no sul de Espanha. Mesmo sem ser, por si só, prova de El Niño, o aquecimento das águas próximas da Península Ibérica reforça o alerta para um verão em que o calor no mar e em terra poderá voltar a marcar a agenda climática.




