Prossegue a ronda de apresentação de resultados das grandes empresas europeias, e os números revelados esta terça-feira, trazem à luz do dia mais um grupo de empresas que não conseguiram escapar aos efeitos económicos devastadores da pandemia da covid-19.
Contudo, o primeiro trimestre ano ainda sofreu de ‘outras maleitas’, nomeadamente as atípicas temperaturas amenas (ou de dias quentes fora de época) que muito afetaram as energéticas.. Particularmente a E.ON e a Engie.
No caso da alemã E.ON anunciou o registo de perdas no primeiro trimestre de 327 milhões de euros, em comparação com os ganhos de 387 milhões observados no mesmo período do ano passado, conforme comunicado, citado pela Europa Press.
A faturação até março atingiu 18.520 milhões de euros, o que equivale a mais do que duplicar a faturação do primeiro trimestre de 2019, como resultado da aquisição da Innogy. Os impostos especiais de consumo sobre eletricidade e energia atingiram 855 milhões de euros, mais que o triplo, de modo que o lucro líquido foi de 17.655 milhões de euros, 97,8% a mais.
Segundo o CEO, Johannes Teyssen, o clima particularmente quente na Alemanha, Reino Unido, Suécia e Holanda teve um impacto adverso “tangível” nos resultados, especialmente nas vendas da divisão de gás.
No trimestre, o custo de materiais cresceu para 13.503 milhões de euros, o dobro do ano anterior, enquanto as despesas com pessoal também dobraram, para 1.365 milhões.
Como resultado da venda de sua divisão de energias renováveis para a RWE e devido aos custos de integração da Innogy, a E.ON encerrou o primeiro trimestre com um lucro extraordinário de 4.324 milhões de euros, além de uma despesa atípica de 5.950 milhões.
O executivo-chefe da empresa também pediu ao governo de Angela Merkel que reduza o imposto “desnecessariamente alto” do país para cinco centavos por quilowatt-hora. Esse imposto ficou em 2019, em média, em 30 centavos.
O grupo francês Engie, player global do setor da energia e de serviços, relatou uma queda de 1,8% no lucro operacional bruto (Ebitda) durante o primeiro trimestre do ano, tendo sido afetado pelas temperaturas relativamente altas na Europa e pela crise do coronavírus.
O resultado operacional atual diminuiu 6,6% nos primeiros três meses em comparação com o mesmo período de 2019, para 1.907 milhões de euros, enquanto o volume de negócios caiu 3,7%, para 16.493 milhões.
A queda nas receitas ficou a dever-se principalmente ao fato de o inverno ser mais ameno do que o habitual em França e na Europa, o que impactou negativamente suas vendas de energia e distribuição de gás. Sendo que a crise da covid-19 também teve consequências desde março para as atividades de soluções para clientes, reconheceu a empresa, em comunicado.
A dívida da Engie aumentou em 2 mil milhões de euros para 27.900 durante o primeiro trimestre, principalmente devido às despesas de investimento em todos os negócios.
A empresa não deixou de enfatizou que possui uma posição de liquidez “sólida”, com mais de 19 mil milhões de euros, graças a uma recente emissão de obrigações e ao lançamento de “uma gestão rigorosa dos custos operacionais fixos e variáveis”.
Empresas alemãs em maus lençóis
A faturação da Allianz no primeiro trimestre foi de 42.552 milhões de euros, 5,7% acima do mesmo período de 2019, com crescimento de 6,5% na receita, segundo noticiou a Europa Press.
A seguradora alemã Allianz obteve um lucro líquido atribuído de 1.400 milhões de euros nos três primeiros meses de 2020, o que representa uma queda de 28,9% em comparação com o resultado do mesmo período de 2019, conforme divulgado pela entidade emcomunicado .
A empresa alemã atribuiu essa queda no lucro entre janeiro e março ao menor lucro operacional, que registou uma queda interanual de 22,2%, a 2.304 milhões de euros, bem como ao impacto da pandemia da covid-19 no mercado, que compensar os ganhos de capital obtidos com a venda da Allianz Popular.
“O primeiro trimestre de 2020 mostrou a resiliência da Allianz nestas circunstâncias sem precedentes”, sublinhou Oliver Bäte, CEO da Allianz, alertando que, diante das incertezas macroeconómicas causadas pela pandemia, o conselho de administração não considera que o Grupo Allianz possa atingir a meta de lucro operacional de 12 mil milhões de euros, com um desvio de 500 milhões.
Quanto aos resultados da Deutsche Post DHL, uma das maiores empresas de correio e transporte do mundo, viu a receita do grupo, no primeiro trimestre, aumentar 0,9%, para 15,5 biliões de euros mas o lucro operacional caiu para 592 milhões, incluindo um prejuízo de 210 milhões causados pela pandemia da covid-19, confirmando números preliminares publicados no mês passado.
A Deutsche Post espera um efeito negativo da pandemia nos seus resultados em abril, disse ainda CFO Melanie Kreis, contudo recusou-se a avançar um número, em concreto, para este próximo resultado mensal.
A Deutsche Post também assumiu não ser possível fornecer orientações, ou estimativas, para restante ano de 2020, mas confirmou a previsão de médio prazo para o lucro operacional de pelo menos 5,3 biliões de euros até 2022.
O grupo alemão Thyssenkrupp alertou, esta terça-feira, que o seu prejuízo operacional pode aumentar para 1 bilião de euros no trimestre de abril a junho devido à crise do coronavírus, noticia a Reuters.
O grupo, cujas operações vão desde a fabricação de peças de carros até a construção de fábricas de fertilizantes, disse que o trimestre encerrado em junho provavelmente será o ponto mais baixo de seu ano fiscal até 30 de setembro.
O grupo informou que o prejuízo líquido de janeiro a março do segundo trimestre aumentou mais de cinco vezes, para 948 milhões de euros, com a pandemia a atingir todas as linhas de negócios, principalmente a siderurgia e a automóvel.
“O impacto total da crise em nossos negócios ainda não é previsível. Mas já está claro que as perturbações económicas deixarão marcas muito profundas”, disse Martina Merz, presidente-executiva da Thyssenkrupp.
Num claro sinal de quão apertada está a situação financeira do grupo, a Thyssenkrupp disse que garantiu uma linha de crédito de 1 bilião de euros do banco estatal alemão KfW até receber o dinheiro da venda de sua divisão de elevadores, esperada para até o final de setembro.
“Não temos um problema de liquidez”, disse o vice-presidente financeiro Klaus Keysberg, apontando para 4,5 bilhões de euros em liquidez adicional a que o grupo teve acesso a 31 de março.
Keysberg dei ainda nota de que o grupo está em contato regular com a Advent e a Cinven, que em fevereiro acordaram comprar a unidade de elevadores por 17,2 biliões de euros, assim que a crise do coronavírus começou.












