‘Caldo entornado’ no Comboio Presidencial: Empresa criadora do projeto original processa CP, Fundação Museu Nacional Ferroviário e chef Chakall e exige 2 milhões de euros

A Lohad, empresa responsável pelo famoso projeto “The Presidential Train”, anunciou esta quarta-feira que deu início a um processo judicial contra a Comboios de Portugal (CP), a Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF) e o chef e empresário Eduardo Andrés López, conhecido como “Chakall”.

Pedro Gonçalves
Julho 31, 2024
16:25

A Lohad, empresa responsável pelo famoso projeto “The Presidential Train”, anunciou esta quarta-feira que deu início a um processo judicial contra a Comboios de Portugal (CP), a Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF) e o chef e empresário Eduardo Andrés López, conhecido como “Chakall”. O objetivo da ação legal é obter reparação por alegada “usurpação ilegal e destruição do multi premiado projeto” de turismo ferroviário, além de reivindicar a violação de direitos de propriedade industrial e concorrência desleal. A empresa alega que a ideia do projeto foi ‘roubada’ e transformada no recentemente apresentado ‘Comboio Presidencial’.

Em comunicado oficial, a Lohad explicou as razões que levaram à decisão de recorrer aos tribunais. O projeto “The Presidential Train” foi idealizado por Gonçalo Castel-Branco, um empreendedor português que baseou a ideia numa sugestão da sua filha, então com 10 anos. O conceito inovador visava utilizar um comboio histórico, anteriormente convertido em peça de museu, para oferecer uma experiência turística única ao longo da linha do Douro. A proposta envolvia a promoção da cultura portuguesa através de um menu preparado por chefs nacionais e harmonizado com vinhos portugueses. Após anos de trabalho e desenvolvimento, a Lohad criou o que viria a ser o projeto mais bem-sucedido do segmento em Portugal.

A parceria entre a Lohad, a CP e a FMNF começou em 2015, quando a Lohad tentou alugar o Comboio Presidencial para realizar o projeto. Na altura, a FMNF enfrentava dificuldades financeiras e não conseguia assegurar a manutenção do comboio. A solução encontrada foi uma parceria na qual a Lohad assumia o total investimento do projeto. O sucesso da primeira edição do “The Presidential Train” levou à continuidade da parceria, com a Fundação sugerindo que a Lohad assumisse serviços de consultoria e comunicação. A Lohad aceitou, e os documentos que comprovam essa colaboração estão disponíveis, segundo informa a empresa em comunicado.

O projeto foi amplamente reconhecido, recebendo o prémio de Melhor Evento Público do Mundo e o Prémio Nacional de Turismo. A empresa de avaliação Cision estimou o retorno mediático do projeto em mais de 18 milhões de euros, com um impacto promocional direto para a Fundação de 493 mil euros. Este sucesso levou ao desenvolvimento de um novo projeto, “The Vintage Train”, que visava criar o primeiro comboio hotel em Portugal, com a confirmação da CP para a venda das carruagens necessárias.

No entanto, a relação entre os parceiros foi marcada por abusos e problemas financeiros. A Lohad acusa a CP de um aumento de preços superior a 1200%, falta de transparência e problemas administrativos. Adicionalmente, a CP, segundo reclama a empresa, retirou as carruagens destinadas ao projeto de hotel e lançou um projeto concorrente com as mesmas carruagens, o que a Lohad considera uma concorrência desleal.

A Lohad continuou a investir no “The Presidential Train” até alcançar a lucratividade em 2023. A empresa explica que apresentou uma proposta de novo modelo de parceria à Fundação, que incluía um dia gratuito exclusivo para Ferroviários. Contudo, a Lohad foi surpreendida com uma conta de 60 mil euros para manutenção adicional e descobriu que os seus parceiros estavam a preparar um projeto concorrente com base no conceito do “The Presidential Train”.

O novo projeto, o ‘Comboio Presidencial’ anunciado pela CP e pelo chef Chakall, foi acusado de plágio, mantendo o mesmo conceito, nome, preço e trajetória do projeto original. A Lohad alega que a CP e seus parceiros tentaram enganar o público com um projeto similar, mas de qualidade inferior. Além disso, o projeto concorrente falhou em termos de lotação e qualidade, levando ao cancelamento de mais de metade das viagens. A CP é igualmente criticada por alegadamente falsear as razões para os cancelamentos e por prejudicar a reputação da Lohad e do seu CEO.

A Lohad pretende agora recuperar os prejuízos sofridos, incluindo danos reputations e lucros cessantes, exigindo um montante de 2 milhões de euros. A empresa também procura proteger a integridade do trabalho privado contra abusos por parte de entidades públicas.

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