As exportações portuguesas de calçado registaram um tímido crescimento de 0,8% em 2025, para 1.718 milhões de euros, mas ganharam novamente terreno face aos concorrentes Itália e Espanha, cujas vendas para o exterior caíram 1% e 3%.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano passado a indústria portuguesa de calçado exportou 68 milhões de pares no valor de 1.718 milhões de euros, um aumento de 1,8% em volume e de 0,8% em valor num contexto global que a associação setorial APICCAPS destaca ter sido “marcado por elevada instabilidade económica e comercial”.
Para a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), esta foi “uma evolução moderada, mas ainda assim positiva, num enquadramento particularmente exigente para o comércio internacional”.
Segundo salienta, o desempenho português “assume maior relevância” quando comparado com o dos seus principais concorrentes internacionais, já que “países tradicionalmente dominantes no setor registaram quebras nas exportações”, nomeadamente nos dois principais concorrentes diretos de Portugal: a Itália, com uma redução de 1%, e Espanha, com uma diminuição de 3%.
Entre os grandes produtores mundiais, a associação destaca ainda a quebra de sofrida pela China, responsável por mais de 50% da produção global de calçado e que registou um recuo de 11% das exportações, enquanto a Turquia apresentou uma descida de 13% e o Brasil uma contração próxima de 2%.
Neste contexto, a APICCAPS considera que o setor português de calçado “manteve uma evolução globalmente positiva, sustentada sobretudo pelo desempenho nos mercados europeus”, onde obteve um crescimento de 3,3%, para 1.420 milhões de euros.
Paralelamente, a indústria nacional tentou mitigar os efeitos da instabilidade do mercado norte-americano, mas, ainda assim, foi nos Estados Unidos que o calçado português enfrentou maiores dificuldades em 2025, com uma quebra de 12,3%, para 84 milhões de euros.
Para o diretor executivo da APICCAPS, estes resultados “evidenciam a capacidade de adaptação e a competitividade da indústria portuguesa de calçado num contexto internacional particularmente difícil”.
Paulo Gonçalves sublinha que “o setor enfrenta um cenário global marcado por crescente incerteza e volatilidade comercial, com os mercados de referência, como a Alemanha e a França, a revelarem sinais de recuperação lenta e moderada, ao mesmo tempo que persiste um quadro de forte instabilidade nos Estados Unidos”.
Paralelamente, o retalho independente europeu “continua a atravessar um processo de reestruturação muito significativo, com o desaparecimento de milhares de postos de venda, que em muito tem penalizado as empresas portuguesas”, acrescenta.
Neste contexto, o dirigente associativo reforça a “importância da aposta da indústria portuguesa nos segmentos de maior valor acrescentado, privilegiando qualidade, ‘design’, inovação e rapidez de resposta aos mercados”.
Especializada no calçado de couro, que representa 82% das exportações do setor, a indústria portuguesa destaca-se como o 11.º exportador mundial neste segmento. Contudo, as exportações portuguesas de calçado têm vindo a crescer em todos os outros segmentos.
No total, o setor do calçado contribui anualmente com 854 milhões de euros para a balança comercial portuguesa.
Para a próxima década, o plano estratégico do ‘cluster’ do calçado aponta como desafio fazer do setor “uma referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis”, propondo-se para isso investir 600 milhões de euros até 2030.
Entre os investimentos em curso, destaque para o projeto BioShoes4All, com 70 milhões de euros para aplicar em sustentabilidade, e para o projeto FAIST, que pressupõe um investimento de 50 milhões de euros em automação e digitalização.













