Pequeno-almoço debate: «A formação ao longo da vida é fundamental para o sucesso das organizações e do país»

As instituições de ensino presentes no pequeno-almoço debate da Executive Digest são unânimes: a formação ao longo da vida é fundamental e exige um desafio acrescido para as business schools, que é o de responder às necessidades formativas dos vários sectores e realidades do País. Luís Marques (vice-dean da Porto Business School), Marta Pimentel (Executive Education director da Nova SBE), Luís Schwab (Marketing Management executive course coordinator do IPAM), Helena Laymé (Head of Marketing & External Relations do ISEG – Lisbon School of Economics & Management), Paulo Martins (head of Overall Market Solutions do Iscte Executive Education), Rita Anjos (Program Admissions manager do Iscte Executive Education) e Sofia Graça (head of Marketing and Communication da Católica Porto Business School) foram os especialistas presentes na última conversa sobre o ensino de executivos.

FORMAÇÃO

Deste modo, é fundamental estender a oferta formativa para lá dos grandes centros urbanos e chegar a outras regiões de Portugal, seja no interior ou até mesmo no Algarve. «As pessoas e as empresas questionam-se antes de investirem na sua formação ou nos seus quadros e isso é um desafio gigante para nós. É um potencial que existe, sem dúvida, e que poderá capacitar bastante mais o País», assim se inicia a conversa com algumas das principais instituições da área de formação de executivos em Portugal. Os membros presentes neste encontro concordam que as pequenas e médias empresas têm muito a ganhar com a formação. Podem tornar-se mais competitivas, ser geradoras de emprego e ajudarem no desenvolvimento económico nacional. «Esse é um dos grandes desafios para o futuro, o de chegarmos a mais organizações e pessoas. Temos alguns programas de formação executiva desenhado com associações e múltiplas organizações empresariais», diz um dos participantes neste pequeno-almoço debate organizado pela Executive Digest.

Assim, a grande responsabilidade das escolas de formação de executivos passa também por trabalhar o aumento de confiança nos líderes e nas empresas. Hoje, há mais competição no mercado e os formandos ambicionam programas transformadores. «As pessoas estão muito interessadas em formação que lhes entregue valor para capacitação individual. Vejo uma necessidade de optimização das pós-graduções e todos nós temos feito um trabalho de reduzir o tempo das formações executivas à sua essência. As pessoas costumam balancear entre o custo e o valor que é entregue. E o custo não é só o investimento financeiro, mas igualmente o tempo que dedicam. Nesse aspecto, há uma tendência no crescimento de pós-graduações e vejo isso como positivo», explica outro dos intervenientes.

Aliás, “provar” o título é uma hipótese em cima da mesa. «Não é por uma pessoa ter um mestrado que as portas se vão abrir imediatamente. Quando olho para um currículo analiso há quanto tempo é que a pessoa não se expõe a mais formação», acrescenta outro membro. Uma coisa é garantida: a procura de títulos vai continuar a existir, até porque vivemos numa era de “personal branding” – e o cenário empresarial está a evoluir rapidamente, influenciado por avanços tecnológicos, alterações nas expectativas dos clientes e pressões competitivas, políticas e regulatórias.

Por isso, do lado das empresas, existe uma exigência cada vez maior, face aos desafios do life long learning, retenção de talento ou convivência entre as várias gerações. «Quando chegamos às empresas, elas hoje não querem só o contexto de formação em sala de aula, mas algo que possa ser transferido para a prática da sua organização e que a business school apoie nesse processo. Não é consultoria, mas sim uma evolução no modelo de aprendizagem, no sentido de esta ser uma aprendizagem aplicada. É, no fundo, uma formação em que há uma competência prática na sequência. Cabe às escolas perceberem qual é o valor que acrescentam para responder a problemas de negócio», acrescentam os membros presentes neste pequeno-almoço debate organizado pela Executive Digest.

CRIAÇÃO DE VALOR E CONHECIMENTO

De facto, as empresas têm passado por um conjunto de transformações intensas relacionadas com estilos de liderança, modelos de trabalho ou gestão de equipas. Nesse sentido, um dos desafios da formação executiva é a sua capacidade de impactar as pessoas e as organizações. «Em relação à criação de valor, temos de trabalhar na diferenciação nos nossos produtos, nas maneiras de interagir, na actualidade dos temas, no corpo docente. A academia tem obrigação de ser a casa de gestão do conhecimento e, portanto, tem de o saber distribuir. É fundamental incutir a proximidade, trabalhar muito na aplicabilidade e especialização. Haverá sempre os formandos que procuram MBA, executive master, pós-graduações, formações longas ou médias porque precisam de recursos gerais de Gestão. Mas o estar focado em determinados temas, como a inteligência artificial, cibersegurança ou ESG, são factores de criação de valor. Aqui, o trabalhar com parcerias (associações ou PME) são fundamentais para trazer “onboard” esta estratégia global de desenvolvimeno do negócio», sublinha um dos intervenientes.

Os líderes actuais têm de entender rapidamente e saber agir sobre transformações profundas da realidade empresarial, abraçando os temas da sustentabilidade e as alterações trazidas, por exemplo, pela inteligência artificial. Daí a importância da formação executiva, para os preparar com as competências, conhecimento e valores que permitem o exercício de uma liderança eficaz. Os restantes membros presentes neste pequeno-almoço acrescentaram ainda a mais-valia da networking, a qualidade de entrega e a presença nos rankings internacionais, que geram reputação. Neste contexto, a formação ao longo da vida e, em particular, a formação de executivos, é fundamental para o êxito das organizações. Torna-se, por isso, crítico que o desenvolvimento de competências dos líderes seja assegurada de forma contínua.

No entanto, é preciso não esquecer que parte dos jovens procura alternativas fora de Portugal e a aposta na longevidade sai reforçada. «Estamos a trabalhar num conceito para as empresas, numa estratégia de longo prazo, que é o de trabalhar as pessoas com mais de 50 anos. Existe aqui um enorme potencial, mas deve ser explorado de forma sistémica para terem uma carreira mais produtiva.»

De acordo com os participantes, cabe também às escolas de negócio ajudarem a desenvolver uma área fulcral nas organizações: pessoas e cultura. «As organizações necessitam de envolver a Academia para se valorizarem internamente, o tal selo de reputação. «Uma das áreas em que somos proactivamente procurados é na gestão de conhecimento. Ou seja, como se gere e transmite conhecimento internamente. Um colaborador com 40 anos numa empresa tem um saber que não se aprende em nenhum curso de formação executiva», conclui um dos participantes do pequeno-almoço.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “MBA, pós-graduações & formação de executivos”, publicado na edição de Maio (n.º 218) da Executive Digest.

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