Católica Porto Business School: Evolução, inovação e impacto

Carlos Vieira, director executivo da Formação Executiva da Católica Porto Business School, explica em entrevista à Executive Digest os diversos desafios, oportunidades e novidades no ano de celebração das duas décadas do MBA Executivo.

A Católica Porto Business School é a única escola de negócios portuguesa, na região Norte, com tripla acreditação internacional da EQUIS, AMBA e AACSB. Sendo esta distinção actualmente atribuída a apenas cerca de 1% das escolas de negócios em todo o Mundo, o que é que ela pode significar para o vosso posicionamento na área de Formação Executiva?

É o nosso posicionamento que permite à Católica Porto Business School estar reconhecida com esta tripla acreditação. E o facto de querermos mantê-las desafia-nos a ir mais além, procurar soluções e programas inovadores em áreas do conhecimento emergentes e sempre em co-criação com os nossos stakeholders. A Católica Porto Business School, integrada na Universidade Católica Portuguesa, resulta de uma fusão de valores humanistas, espírito portuense, excelência académica, experiência prática e visão global. E estas características, conjugadas com os seus eixos estratégicos – Inovação com impacto, Mentalidade Global, Ligação à prática – são aspectos que nos diferenciam. Em termos de mentalidade global e a título de exemplo, na área da formação executiva fomentamos as parcerias internacionais, com programas de intercâmbio e summer schools com as melhores escolas de negócios e universidades de todo o mundo, inclusive integrados em alguns dos nossos programas, todas elas com tripla acreditação internacional. Adicionalmente, temos vários docentes internacionais a leccionar nos nossos programas e o MBA Executivo entrou em 2023 nos QS Rankings.

Relativamente às ligações à prática, temos a colaboração e participação activa de empresas nacionais e internacionais nos nossos programas e actividades, quer através de docentes convidados, quer nas áreas de disseminação de conhecimento – master classes e aulas abertas –, e também nos Career Days, através do networking, mentoring e advisory permanente, ao qual somamos também a nossa rede de Alumni, espalhada por todo o país e todo o mundo. Além disso, o CEGEA – Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Católica Porto Business School, fundado em 1991, é também um exemplo da nossa ligação à prática, aliando a capacidade de investigação e a independência universitária à atenção ao cliente própria de uma empresa de consultadoria. E temos já um extenso portefólio de projectos que desenvolvemos para empresas e associações empresariais, que são a prova disto mesmo.

Por fim, no que concerne à inovação com impacto, a mesma traduz- se, por exemplo, numa aposta em centros de transferência de conhecimento, com actividades regulares e forte ligação às empresas – tais como o Insure Hub – na área de Sustentabilidade, Regeneração e Inovação, o LEAD. lab – na área de Liderança –, o S.lab – na área dos Serviços e o Fórum de Ética – na área da Ética e da Responsabilidade Social. E também num centro de investigação fundamental – o CEGE – focado nas áreas de Economia e Gestão, cuja investigação é segmentada em três áreas: mercados e políticas públicas; gestão de serviços e performance; e ética e sustentabilidade.

A Católica Porto Business School vai celebrar, em 2024, os 20 anos do seu MBA Executivo. Como olham para a sua evolução?

Podemos dizer que estes 20 anos foram de evolução, inovação e impacto. Celebramos em 2024 este marco que representa duas décadas de transformação, inovação e impacto na vida de centenas de líderes empresariais. Ao longo desta jornada, o programa consolidou-se como uma referência na formação executiva em Portugal e, muito especificamente na região Norte, adaptando-se às constantes mudanças do mercado e preparando os nossos alunos para os desafios do futuro.

Temos, de facto, uma história de sucesso. Em 1994, a criação do MBA pela AEP – Associação Empresarial de Portugal, com a parceria da ESADE de Barcelona, foi um o momento transformador de uma realidade que, até então, não apresentava uma oferta deste nível na região Norte do País. A AEP é hoje associada da Universidade Católica Portuguesa, participando as duas na associação que gere a formação executiva da Católica Porto Business School. A realidade da nossa formação executiva não pode deixar de louvar a dinâmica dos dirigentes da AEP, da Católica Porto Business School e dos seus docentes e técnicos. A ESADE, que ainda actualmente disponibiliza docentes seus para o MBA Executivo, tem-se mantido como um parceiro de referência, constando também no programa como o ponto final do desafio de dois anos que lançámos aos nossos alunos, com uma semana de simulação empresarial em Barcelona.

Anos depois, já sobre a égide da EGE – Escola de Gestão Empresarial, houve como que uma transmissão de testemunho e passou a ser a Católica Porto Business School a desenvolver o programa nas suas instalações da Foz e a gerir todos os processos académicos. Esta maior aproximação à universidade foi um factor importante para o desenvolvimento de outros programas e para um maior envolvimento de docentes e investigadores da universidade, não se perdendo a ligação às empresas, que está na génese da criação dos nossos MBA.

Entre 2010 e 2017 desenvolvemos um MBA, na altura inovador – o MBA Atlântico – uma iniciativa conjunta de três Universidades Católicas – Luanda, São Paulo e Porto – com a missão de formar gestores de topo, com aptidões únicas, convergentes com os interesses de crescimento e afirmação internacional das empresas dos países de expressão portuguesa. Este MBA evoluiu, em 2023, para um programa conjunto entre a Católica Porto Business School, a Católica Luanda Business School e a PUC-Rio de Janeiro, em Portugal, Angola e Brasil, respectivamente, denominado Programa Atlântico, com tripla titulação, num modelo mais prático e aproveitando parcialmente as potencialidades do ensino à distância.

A evolução dos MBA da Católica Porto Business School, que culmina actualmente no MBA Executivo, teve sempre como objectivo oferecer uma formação de excelência para executivos que desejem aprimorar as suas competências e os conhecimentos em gestão. Assistimos a ajustamentos constantes e inovadores, com a criação de novos módulos e especializações, atendendo às solicitações de um mercado em constante evolução, à adopção de metodologias de ensino inovadoras, como a aprendizagem experiencial e o uso de tecnologias digitais, para tornar a experiência de aprendizagem mais dinâmica e comprometedora e, por fim, ao envolvimento de diversos parceiros, que vão desde sponsors financeiros do MBA até membros do Clube de Empresas, os quais apresentam os seus casos para estudo em ambiente real por parte dos alunos.

Assim, podemos dizer que estes 20 anos demonstram, em pleno, i) a capacidade de adaptabilidade e inovação, com uma adaptação às constantes mudanças do mercado, incorporando novas tecnologias, metodologias de ensino e conteúdos relevantes que dão resposta aos desafios da gestão moderna; ii) o foco na experiência do aluno, com um investimento significativo em metodologias de ensino inovadoras, uma cultura de networking e de colaboração entre os alunos, docentes, responsáveis das empresas parceiras e alumni, facilitando a troca de experiências e o desenvolvimento de relacionamentos profissionais duradouros; iii) impacto na sociedade, com uma contribuição para o desenvolvimento de líderes mais responsáveis, éticos e comprometidos com a sustentabilidade. Muitos dos ex-alunos do programa ocupam cargos de liderança em empresas de diversos sectores, impactando positivamente a sociedade.

Nesse sentido, quais as principais novidades que destacam? Teremos várias novidades neste ano de celebração das duas décadas do MBA Executivo. A sua 20.ª edição, que arrancará em Outubro, incorporará já um conjunto de sugestões efectuadas pelos nossos stakeholders, nomeadamente: uma extensão do acompanhamento tutorial e de mentoria, através do módulo Human & Leadership Skills, que decorrerá após o final do MBA e durante mais dois anos. Para além disso, temos mais uma excelente novidade, que passa por uma semana internacional adicional à da ESADE, na WU – Vienna University of Economics and Business, na Áustria, uma escola de negócios com tripla acreditação internacional e elevado prestígio, onde se desenvolverão contactos directos com empresas austríacas de referência, com o acompanhamento e mentoria de docentes desta Business School.

Quais são os principais factores que contribuem para o sucesso?

Actualmente, o nosso MBA Executivo dirige-se a profissionais com formações e experiências diversificadas e provenientes de vários sectores de actividade, tendo em comum alguma experiência no mundo empresarial, e que pretendam reforçar ou adquirir competências avançadas em gestão. Apostamos num tratamento personalizado e muito próximo, procurando desenhar uma jornada do aluno focada no know-how, no know-people e no know-business e no enriquecimento da pessoa.

Para além da elevada qualidade do programa, estes pontos são alguns dos nossos factores diferenciadores. Mas temos muitos outros, a título de exemplo: fazemos uma avaliação 360˚ de cada participante, no início e no final do MBA, temos um permanente acompanhamento tutorial e de mentoria, disponibilizamos também um programa de Human & Leadership Skills após o final do MBA e durante mais dois anos, temos uma equipa de docentes nacionais e internacionais com elevada experiência académica e empresarial, potenciamos o networking permanente com empresas do nosso Corporate Club e do INSURE.hub e os nossos alumni. Desenhamos também várias actividades focadas nas human skills e no teambuilding, reconhecendo que os momentos de descontração e diversão também são importantes para o desenvolvimento humano.

Temos ainda parceiros internacionais de referência, onde os alunos podem fazer uma semana internacional de imersão. Exemplos disso são a ESADE Business School em Espanha ou a Luiss Business School em Itália. E, como já referido, teremos a partir deste ano, mais uma semana internacional na WU – Vienna University of Economics and Business, na Áustria. Todas estas escolas parceiras têm elevado prestígio, o que é atestado pela sua tripla acreditação internacional, tal como a Católica Porto Business School.

Quais as especificidades de formação de executivos para PME?

As PME possuem características e desafios únicos que exigem uma abordagem específica na preparação de formação para executivos. Ao contrário das grandes empresas, as PME possuem, geralmente, recursos mais limitados, estruturas organizacionais mais curtas e um ritmo de trabalho mais dinâmico. Isso significa que os executivos de PME procuram formação com características específicas, as quais incluem: i) competências de gestão geral, dado que precisam de ter um conhecimento abrangente dos princípios de gestão, incluindo finanças, marketing, operações e recursos humanos, que os apoiem nos processos de tomada de decisões estratégicas e na gestão do dia-a-dia das operações da empresa e de forma eficaz; ii) empreendedorismo e inovação, na medida em que os executivos de PME precisam desenvolver um mindset empreendedor e de serem capazes de identificar e explorar novas oportunidades de negócio, já que estas empresas têm de ser, necessariamente, inovadoras e ágeis para que se consigam manterem competitivas no mercado; iii) liderança e motivação, porque os gestores das PME necessitam de criar um ambiente de trabalho positivo e motivador que incentive a produtividade e a colaboração, ao mesmo tempo que delegam tarefas de forma eficaz e de fornecer feedback construtivo aos seus funcionários; iv) competências de comunicação, necessitando de desenvolver competências que lhes permitam comunicar de forma clara, concisa e persuasiva com uma variedade de stakeholders, incluindo funcionários, clientes, fornecedores e investidores; v) gestão de tempo e recursos, já que as PME geralmente possuem recursos mais limitados do que as grandes empresas, o que significa que os gestores de PME precisam de ser capazes de gerir o seu tempo e recursos de forma eficiente, precisando de ser capazes de prioritizar tarefas, delegar responsabilidades e tomar decisões rápidas e eficazes.

Um dos pontos também importantes é ajudar as PME a entender a importância da formação dos seus executivos a médio e longo prazo, como forma de reter os melhores profissionais, melhorar a sua performance, aumentar a sua competitividade e alcançar os seus objectivos de negócio.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “MBA, pós-graduações & formação de executivos”, publicado na edição de Maio (n.º 218) da Executive Digest.

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