Caça aos ovos na Páscoa vira pesadelo: gaivotas atacam crianças e geram pânico

Segundo a organização Inverness Business Improvement District (BID), foram registados pelo menos 16 incidentes durante o evento, realizado ao longo de dois dias no centro da cidade de Inverness

Francisco Laranjeira

Uma tradicional caça aos ovos de Páscoa transformou-se num episódio de tensão numa cidade escocesa, depois de uma série de ataques de gaivotas ter causado momentos de pânico entre famílias e crianças. O caso ocorreu em Inverness e foi descrito pelo ‘The Independent’ como um exemplo extremo de um problema crescente nas cidades costeiras.

Segundo a organização Inverness Business Improvement District (BID), foram registados pelo menos 16 incidentes durante o evento, realizado ao longo de dois dias no centro da cidade. Em vários casos, as aves terão atacado diretamente participantes, incluindo crianças pequenas.

Ataques coordenados e comportamento agressivo

Testemunhos no local apontam para um comportamento incomum das gaivotas. De acordo com a embaixadora da candidatura local, Janice Worthing, as aves agiam de forma quase coordenada. “Ficavam à procura de oportunidades, chamavam outras e atacavam repetidamente”, descreveu, sublinhando a rapidez e imprevisibilidade dos ataques.

Este tipo de comportamento não surge do nada. Especialistas explicam que, durante a época de reprodução, as gaivotas tornam-se mais territoriais e agressivas, sobretudo quando sentem que os ninhos ou crias estão em risco.

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Um problema antigo — e cada vez mais urbano

O episódio volta a expor um fenómeno que se tem intensificado nos últimos anos: a adaptação das gaivotas ao ambiente urbano. Em Inverness, onde o rio Ness encontra o Moray Firth, estas aves encontraram nas cidades condições ideais para sobreviver.

Telhados transformados em locais de nidificação e lixo abundante criaram um ecossistema urbano favorável — mas com custos para quem lá vive.

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Ruído constante, sujidade e episódios de agressividade tornaram-se cada vez mais comuns, sobretudo em períodos críticos como a primavera.

Autoridades pedem ajuda — mas sem controlo direto

Face ao aumento de incidentes, as autoridades locais estão a reforçar medidas de monitorização. A população foi incentivada a reportar novos ataques e a adotar comportamentos preventivos, como evitar alimentar aves e garantir o correto descarte de lixo.

Está também em preparação um projeto piloto para mapear o impacto das gaivotas na região, com o objetivo de identificar zonas críticas e padrões de comportamento.

No entanto, o conselho local sublinha que não realiza controlo direto da população de gaivotas em espaços públicos, nem tem obrigação legal de o fazer — o que limita a resposta imediata ao problema.

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Um risco que já entrou no debate político

A escalada do problema já chegou ao Parlamento escocês. Responsáveis políticos alertaram recentemente que a ameaça das gaivotas urbanas pode atingir níveis perigosos, com risco real para a segurança pública.

No ano passado, o governo escocês anunciou um financiamento de cerca de 100 mil libras (cerca de 117 mil euros) para ajudar comunidades a lidar com populações problemáticas destas aves.

Ainda assim, episódios como o da caça aos ovos de Páscoa mostram que o fenómeno está longe de estar controlado — e que, em certos momentos, pode transformar um evento familiar num cenário inesperado de caos.

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