O Governo cabo-verdiano deu início a um projeto-piloto para realojar as famílias que vivem em 100 barracas na cidade da Praia, no âmbito do programa “Barraca Zero”, disse em entrevista à Lusa o ministro das Infraestruturas, Habitação e Ordenamento do Território.
“A ideia é, progressivamente, eliminarmos, nos próximos dias, cerca de 100 barracas na cidade da Praia” e realojar as respetivas famílias, referiu Carlos Tavares, indicando que cerca de 20 pessoas já foram realojadas, na última semana.
As famílias abrangidas pelo projeto-piloto serão transferidas para habitações nos bairros de Achada Limpo e Palmarejo Grande, onde, segundo Carlos Tavares, existem habitações já concluídas.
O levantamento realizado pelo Governo identificou cerca de 100 barracas na cidade da Praia, distribuídas por várias zonas, entre as quais Jamaica, Águas Fundas, Palmarejo Grande e Alto da Glória.
Carlos Tavares explicou que o número identificado é inferior ao inicialmente previsto: o censo de 2021 apontava para cerca de 500 barracas.
Segundo o ministro, várias construções foram, entretanto, melhoradas pelos moradores e deixaram de corresponder à definição de barraca usada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A intervenção na Praia integra um levantamento mais amplo das habitações precárias em todo o país.
Segundo Carlos Tavares, o Instituto Nacional de Gestão do Território está a identificar e georreferenciar as situações, estimando-se que haja entre 2.500 e 3.000 barracas em Cabo Verde.
O programa deverá ser posteriormente alargado às ilhas de São Vicente, Sal e Boa Vista.
“O maior número de barracas estará, eventualmente, na ilha de São Vicente”, disse.
O ministro indicou que o realojamento será feito antes da demolição das habitações e em diálogo com as famílias.
“Não vamos deixar ninguém para trás, não vamos deixar ninguém desamparado, não vamos desalojar ninguém antes de encontrarmos uma alternativa habitacional para cada pessoa”, afirmou.
Segundo Carlos Tavares, algumas famílias têm mostrado resistência à mudança devido às condições em que vivem, incluindo a proximidade de escolas, fontes de rendimento e criação de animais.
O Governo pretende, por isso, articular com o Ministério da Família e as câmaras municipais o acompanhamento das famílias durante o processo de transição para as novas habitações.














