Cabines chegam aos 40 graus: motoristas dos famosos autocarros vermelhos de Londres entram em greve

Com verões cada vez mais quentes e temperaturas que podem atingir os 40 ºC dentro das cabines, 1.500 motoristas decidiram avançar para uma série de greves

Francisco Laranjeira

Os famosos autocarros vermelhos fazem parte da imagem de Londres, mas há algo que muitos passageiros poderão desconhecer: os veículos não têm ar condicionado. Com verões cada vez mais quentes e temperaturas que podem atingir os 40 ºC dentro das cabines, 1.500 motoristas decidiram avançar para uma série de greves.

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Os trabalhadores da Arriva, uma das oito empresas que opera os autocarros da capital britânica através de concessões da Transport for London (TfL), começam esta sexta-feira uma greve intermitente que deverá prolongar-se, em diferentes períodos, pelos próximos meses.

Segundo noticia o ’20 Minutos’, citando o sindicato que representa os trabalhadores, os motoristas queixam-se de serem obrigados a conduzir autocarros “extremamente quentes” e acusam a empresa de ignorar reivindicações repetidas “ano após ano”.

30 graus na rua, 40 dentro da cabine

O problema agrava-se durante os episódios de calor intenso.

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Segundo o sindicato, quando a temperatura exterior chega aos 30 ºC, a cabine do motorista — separada do restante espaço por uma divisória transparente — pode atingir cerca de 40 ºC.

E Londres já ultrapassou cinco vezes os 30 ºC durante este verão.

Os trabalhadores relatam episódios frequentes de fadiga, tonturas e desidratação associados às elevadas temperaturas durante os turnos.

Sharon Graham, dirigente sindical citada pelo jornal espanhol, critica a ausência de resposta às reivindicações dos trabalhadores num contexto em que os verões britânicos se tornam progressivamente mais quentes.

Greves começam esta sexta-feira e chegam até outubro

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A primeira paralisação arranca esta sexta-feira e prolonga-se durante dois dias.

Mas será apenas o início. Os motoristas deverão voltar à greve entre 18 e 21 de agosto e novamente entre 25 e 28 de agosto.

Estão ainda previstas outras quatro paralisações de vários dias durante setembro e mais quatro em outubro, o que poderá provocar perturbações recorrentes na rede de transportes da capital britânica.

Ar condicionado continua raro em Londres

O problema não se limita aos autocarros.

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A ausência de ar condicionado tem-se tornado uma questão cada vez mais discutida em Londres à medida que a cidade enfrenta episódios de temperaturas elevadas com maior frequência.

Grande parte da rede do metro também não dispõe de climatização, tanto nas estações como nas carruagens, embora existam algumas exceções.

O mesmo acontece em muitos restaurantes e lojas, enquanto nas habitações particulares — sobretudo nos edifícios mais antigos — os sistemas de ar condicionado continuam a ser pouco comuns.

Para os 1.500 motoristas que agora avançam para a greve, porém, a questão deixou de ser apenas de conforto: dizem que trabalhar durante horas em cabines que chegam aos 40 ºC está a transformar o calor num problema de segurança.

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