É preciso recuar a 2018 para encontrar um cabaz de compras tão volumoso como aquele que pode ser adquirido pelos portugueses hoje, segundo revelou esta quarta-feira a Kanatar para a Centromarca – Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca, que analisou o comportamento do grande consumo no primeiro trimestre de 2022.
Assim, segundo o estudo, o cabaz de compras diminuiu 2,8% no primeiro trimestre do ano, face ao período homólogo de 2019 – além de mais pequeno, estão também mais caro, ou seja, os portugueses pagam agora mais por menos produtos, com uma exceção: o segmento da higiene e beleza, que mantém a desvalorização iniciada durante a Covid-19.
“Quando se analisa o início deste ano e se compara com o do ano anterior, assiste-se a uma perda inevitável, tanto em valor como em volume, uma vez que no primeiro trimestre de 2021 estávamos confinados. No entanto, quando se compara o primeiro trimestre de 2022 com o homólogo de 2019, verifica-se que os cabazes são mais pequenos mas de maior valor”, explicou Marta Santos, da Kantar.
O estudo apontou ainda que 58% das categorias aumentaram o preço, dos quais apenas 31% perderam compradores, incluindo categorias básicas como o arroz, azeite e margarinas. Os jovens parecem ser os mais adaptados. “A frequência de compra mantém-se estável, com os jovens a serem o grupo que mais aumenta a regularidade de compra, como já vinha a acontecer”, acrescentou Marta Santos.
Em destaque está também o crescimento contínuo e acelerado das marcas de distribuição. “Neste momento, a quota em valor situa-se nos 41,1%, tendo aumentado 2,3 pontos percentuais face a 2021 e 5,2 relativamente a 2019.” Ainda assim, a procura pelas chamadas marcas brancas já foi maior.
“Em crises anteriores, como na de 2011, o corte de custos em resposta à crise levou a uma maior procura das marcas da distribuição, as quais chegaram a atingir os 37% de quota em valor no primeiro trimestre desse ano, valor que posteriormente decresceu por força da forte ação promocional dos fabricantes”, frisou Pedro Pimentel, director-geral da Centromarca. Atualmente há mais concorrência entre marcas brancas, que por sua vez pressionam os fabricantes. “Existe um contexto diferente, com lojas com formatos de sortido curto muito focadas nas suas marcas próprias, ágeis e que conquistaram a confiança de muitos portugueses”, notou.
A procura por marcas brancas é visível em produtos específicos, que têm sofrido expressivos aumentos de preço, como o leite UHT, refrigerantes de fruta ou o azeite (26 em 29 conquistaram quota de mercado).
A procura por descontos também continua a crescer. Neste particular, os hiper e supermercados recuperaram alguma quota face à perda sentida no pico da pandemia. “Quando a inflação se começa a fazer sentir e a aposta recai mais sobre as marcas de distribuição, também se pensa no local de compra e em como a necessidade de controlar os gastos pode influenciar a escolha da loja”, finalizou Pedro Pimentel.













