A burla através do WhatsApp conhecida como ‘Olá mãe/Olá pai’ está em “crescimento exponencial”, alerta a Polícia Judiciária (PJ), sendo que entre setembro e dezembro do ano passado registaram-se 393 queixas, quando este ano, entre janeiro e fevereiro já se cotam 425 processos abertos devido a este esquema.
As revelações são feitas por Paulo Gonçalves, Inspetor-Chefe em Coordenação na Secção Central de Investigação da Criminalidade informática e Tecnológica da UNC3T, da PJ, em entrevista à CNN Portugal. O responsável aponta que, “comparativamente a quatro meses do ano passado temos um crescimento exponencial”, olhando aos números dos primeiros meses de 2023.
A burla é feita através do envio de mensagens de WhatsApp em que alguém se faz passar por filho ou filha da vítima, dizendo estar sem o telemóvel habitual, ou dizendo que é um novo número, pedindo uma avultada transferência de dinheiro para pagar uma dívida. As autoridades alertam que também já há casos de quem se faça passar por neto ou neta, irmão ou irmã, ou amigo da vítima escolhida.
Segundo revela a PJ, o valor das burlas neste esquema já ultrapassa um milhão e duzentos mil euros, sendo que os valores pedidos pelos criminosos varia, entre os 700 euros e até 10 mil, ou até mesmo 15 mil euros.
Os casos de valores mais elevados, explica a PJ, respeitam a vários pedidos de ajuda dos burlões. A média paga pelas vítimas, segundo as autoridades é “sempre superior a 1500 euros”.
A PJ adianta estar a investigar vários casos e ter pessoas referenciadas por este crime, mas adianta que aina não há detenções porque é prematuro, pelo menos até ter a investigação avançada. Até ao momento, conta-se uma detenção por este esquema de burla, em outubro do ano passado.
A Polícia Judiciária refere ainda que é um obstáculo o facto de alguns dos burlões atuarem a partir do estrangeiro.
As autoridades pedem atenção generalizada da população para que não se deixe enganar e aconselha a que, quem seja abordado no WhatsApp e suspeite deste esquema, faça perguntas sobre a rotina da pessoa por quem o burlão se está a fazer passar. A PJ refere que se devem fazer perguntas como “Onde é que estás?”, “Qual é o nome do nosso cão?” ou outras perguntas pessoais, para que o criminoso não saiba como responder.













