Buraco de tamanho recorde forma-se na camada de Ozono acima do Ártico

Este buraco, extremamente raro, resulta das baixas temperaturas verificadas na atmosfera.

Simone Silva

Um raro buraco, com dimensões nunca antes vistas, formou-se na camada de ozono, acima do Árctico e, segundo os cientistas, resulta das temperaturas incomummente baixas registadas na atmosfera acima do pólo norte, de acordo com o ‘The Guardian’.

O buraco, verificado a partir do espaço e do solo nos últimos dias, atingiu dimensões recordes, contudo, não se espera que represente nenhum perigo para os seres humanos, a não ser que se desloque para o sul. Nesse caso, se estiver sobre áreas povoadas, tais como o sul da Gronelândia, a população corre um maior risco de sofrer queimaduras solares. No entanto, espera-se que o buraco desapareça em algumas semanas.

As baixas temperaturas verificadas nas regiões polares do norte conduziram a um vórtice polar estável incomum e a presença de produtos químicos destruidores de ozono, tais como cloro e bromo na atmosfera, provenientes de actividades humanas, estão na origem da formação do buraco.

«O buraco é sobretudo uma curiosidade geofísica», disse Vincent-Henri Peuch, director do Serviço de Monitorização da Atmosfera, Copernicus. «Monitorizamos as condições dinâmicas incomuns que originaram temperaturas mais baixas e um vórtice mais estável do que o normal sobre o Árctico, desencadeando a formação de nuvens polares estratosféricas e a destruição do ozono».

Segundo os cientistas, o buraco não está relacionado com as paralisações da Covid-19 que reduziram substancialmente a poluição do ar, bem como as emissões de gases de efeito estufa. Ainda é cedo para dizer se as condições invulgarmente estáveis ​​do vórtice polar do Ártico estão ligadas à crise climática ou são apenas uma variação meteorológica.

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Peuch revela que não existem implicações directas para a crise climática. As temperaturas na região já estão a aumentar, com a redução do ozono, o que faz com que o buraco comece a diminuir à medida que o ar polar se misturar com o ar rico em ozono em latitudes mais baixas. A última vez que condições semelhantes foram observadas foi na primavera de 2011.

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