Bruxelas quer teletrabalho obrigatório e transportes gratuitos para travar crise energética

Entre as propostas em análise está a introdução de teletrabalho obrigatório, pelo menos um dia por semana, sempre que possível

Francisco Laranjeira

A guerra no Médio Oriente já está a ter um impacto profundo na economia europeia, com a Comissão Europeia a estimar em mais de 22 mil milhões de euros os custos adicionais com importações de combustíveis fósseis, num choque energético que está a pressionar empresas e famílias em toda a União Europeia.

Perante este cenário, indicou o ‘El País’, Bruxelas prepara um pacote de medidas de emergência para conter a escalada dos preços e reduzir o consumo energético, que deverá ser apresentado a 22 de abril. Entre as propostas mais marcantes está a possibilidade de impor pelo menos um dia de teletrabalho obrigatório por semana, com o objetivo de reduzir deslocações e o consumo de combustíveis.

A proposta surge num contexto de forte subida dos preços da energia, com o petróleo e o gás a registarem aumentos significativos nas últimas semanas, impulsionados pelo conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão e pelo impacto no estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas globais.

Além do teletrabalho, a Comissão Europeia está também a estudar medidas como o encerramento parcial de edifícios públicos, a redução dos preços dos transportes públicos — podendo mesmo torná-los gratuitos para grupos mais vulneráveis — e a criação de apoios diretos a famílias e setores mais expostos, como a agricultura e a distribuição.

Segundo informações avançadas pelo ’20 Minutos’, o plano poderá ainda incluir a limitação de viagens desnecessárias no setor público, o incentivo ao uso de transportes ferroviários e a redução de voos, bem como medidas dirigidas à indústria, nomeadamente o pedido às refinarias para maximizarem a produção e adiarem manutenções não essenciais.

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Ao mesmo tempo, Bruxelas quer acelerar o recurso a biocombustíveis e admite cortes fiscais na eletricidade, com o objetivo de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e aliviar os custos energéticos. Está também em cima da mesa uma flexibilização temporária das regras de auxílios estatais, permitindo aos governos apoiar setores mais vulneráveis sem comprometer o mercado único.

Segundo documentos preliminares, o objetivo passa por reduzir rapidamente o consumo de combustíveis fósseis e aliviar a pressão sobre os orçamentos das famílias, ao mesmo tempo que se reforça a transição energética. Bruxelas pretende também avançar com cortes de impostos na eletricidade e rever taxas e encargos para tornar esta fonte mais competitiva face aos combustíveis fósseis.

A estratégia inclui ainda incentivos ao investimento em energias limpas e infraestruturas elétricas, numa tentativa de reduzir a dependência externa e proteger a economia europeia de futuros choques energéticos.

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Este pacote surge numa altura em que responsáveis europeus alertam para uma crise prolongada. O comissário europeu da Energia já admitiu que o impacto do conflito poderá fazer-se sentir durante um longo período, mantendo os preços elevados e aumentando a pressão sobre consumidores e empresas.

A resposta de Bruxelas combina, assim, medidas de curto prazo — para travar a subida dos custos — com uma estratégia estrutural de médio e longo prazo, centrada na eletrificação da economia e na redução da dependência de combustíveis fósseis, numa linha semelhante à adotada após a crise energética de 2022.

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